“Está em causa reforçar a governabilidade”: acordo com o Chega divide leitura política em Aveiro

À margem da Maratona da Europa, o presidente da Câmara Municipal de Aveiro confirmou, em conversa com a jornalista Estela Machado, um acordo político com o Chega para reforçar a governação do executivo, numa decisão que surge num contexto de ausência de maioria absoluta e levanta questões sobre o equilíbrio interno da coligação.
Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
25 abr. 2026, 13:08

A conversa decorria no âmbito da Maratona da Europa, mas a atualidade política acabou por entrar em direto. Durante a emissão do Conta Lá, a jornalista Estela Machado aproveitou a presença do presidente da Câmara Municipal de Aveiro para o questionar sobre a mais recente aliança entre PSD e Chega, um acordo que surge num momento de reconfiguração política no executivo.

Luís Miranda enquadrou o entendimento como uma resposta direta à necessidade de reforçar a governação, afastando uma leitura centrada apenas em equilíbrios partidários. “Está em causa reforçar as condições de governabilidade”, afirmou, sublinhando que a prioridade passa por “servir as populações e resolver os problemas das pessoas”, num contexto que descreve como exigente para o município.  

Sem maioria absoluta no executivo, mas com maioria na Assembleia Municipal, o presidente da câmara defende que o alargamento do entendimento político permite criar uma base mais estável para a tomada de decisões. “Aquilo que se passou aqui foi procurar quem se quer juntar a este espaço para reforçar as condições de governação. Serão bem-vindos”, afirmou, assumindo a abertura a novos entendimentos políticos.  

O acordo com o Chega resulta de um processo de diálogo ainda em curso e deverá ser formalizado em breve. “Tem de haver um diálogo. Esse diálogo tem vindo a decorrer e está para breve a formalização”, explicou, acrescentando que o objetivo é garantir “ganhos, sobretudo, para quem? Para os aveirenses”, colocando o interesse do município acima da lógica partidária.  

A entrada de um novo parceiro no espaço de governação levanta, ainda assim, questões sobre o equilíbrio interno do executivo, nomeadamente na relação com o CDS, parceiro de coligação. Luís Miranda afastou qualquer rutura, garantindo que “não há, neste entendimento, nada que prejudique a coligação pré-eleitoral”, sublinhando que a estratégia de alargamento já tinha sido equacionada anteriormente com outras forças políticas.  

Ainda sem avançar os termos concretos do acordo — que serão divulgados em comunicado — o autarca insistiu na ideia de que um entendimento político mais amplo representa uma vantagem para o concelho. “É evidente para todos que há ganhos acrescidos para o município se houver um entendimento mais alargado”, afirmou, rejeitando leituras de instabilidade. “Trata-se apenas disso, não há drama absolutamente nenhum.”  

A poucos dias da formalização do acordo, a nova configuração política do executivo permanece em aberto, mas o presidente da câmara deixa uma mensagem clara sobre o caminho que pretende seguir, recorrendo a uma metáfora alinhada com o contexto da própria emissão: “quem mais se quiser juntar à nossa corrida, vamos em frente”.