“Ninguém diz nada”. A incerteza que perdura nas 500 habitações ainda sem luz em Ourém
“Não há resposta, ninguém diz nada. Só dizem que estão no terreno, mas a gente não vê um carro no terreno”, admite ao Conta Lá Pedro Pereira, habitante do Outeiro da Calçada, em Ourém.
Com a habitação abraçada por um manto florestal, agora destruído pela passagem do mau tempo, os cabos que levavam a eletricidade até casa estão “completamente partidos”, o que impossibilita o regresso à rotina.
Uma situação ainda mais delicada, uma vez que o filho de Pedro necessita de medicação que necessita de ser conservada no frigorífico, o que só é possível se houver eletricidade.
“Temos um gerador, emprestado por pessoas do Porto, que ligamos quatro horas por dia, são 17 euros que gastamos por dia, e é assim que vamos conseguindo gerir. Mas temos rotinas e isto veio trocar-nos as rotinas, é complicado”, confessa.
Quanto à comida, é com a ajuda de um fogão a gás, também emprestado, que se vai conseguindo cozinhar.
O desânimo é visível nos rostos desta família. “Ninguém diz nada, ninguém se responsabiliza”, diz.