“Nunca vivemos um tempo assim” : janeiro poderá ter sido o mês mais chuvoso de sempre

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado diz que é um tempo “excecional” e que, provavelmente, janeiro terá sido o mês mais chuvoso de sempre. 
 
Agência Lusa
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03 fev. 2026, 18:14

O mês de janeiro deverá ser o mais chuvoso de sempre, depois de dezembro também já ter registado uma das maiores pluviosidades de sempre, revelou o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado.

“Estamos a viver um tempo excecional, nunca vivemos um tempo assim. Vamos ter talvez o mês de janeiro mais chuvoso de sempre e tivemos o mês de dezembro como um dos mais chuvosos de sempre”, afirmou.

O presidente da APA participou esta tarde, em Coimbra, numa reunião dedicada ao ponto de situação no rio Mondego e à definição e articulação de medidas de mitigação e controlo de cheias na região, que contou com a presença da ministra do Ambiente e Energia e de alguns presidentes de Câmara.

Numa interrupção do encontro, Pimenta Machado evidenciou que, apesar de se viver uma crise sem precedentes, têm-se conseguido “gerir a situação”.

“Estamos a partir para esta tempestade, que é a segunda desta semana e estamos a meio de um jogo que mais parece uma batalha. Fizemos a última e ganhámos, agora temos a segunda pela frente e estamos mais bem preparados do que nunca”, assegurou, indicando que neste momento a cota da barragem Agueira está em “115,9, quando a cota de referência era 117”.

No seu entender, com a cota mais baixa, estamos “mais bem preparados do que nunca” para enfrentar a tempestade, que irá “entrar pela madrugada de quarta-feira e depois vai ganhar intensidade na quinta-feira”.

“É mais uma e depois já temos outra que nos espera no fim de semana. Fizemos tudo para estarmos bem preparados para enfrentar estas intempéries”, acrescentou.

Aos jornalistas, Pimenta Machado explicou que o Mondego é um rio diferente dos restantes que atravessam o país, circulando entre diques, que estão acima da cota de terreno.

“Portanto, é muito imprevisível saber onde eles podem arrebentar e também é muito imprevisível quando arrebentarem: aquilo gera uma onda de cheia com grande energia, diferente, por exemplo, das cheias do Douro”, referiu.

Segundo Pimenta Machado, as cheias do Douro são lentas, o rio vai subindo e vai alargando para as margens, “dando tempo para ir calibrando a gestão das medidas”.

“Mas, estamos confiantes com o trabalho que fizemos preventivo. Insisto, estamos na melhor situação de sempre a enfrentar estas duas intempéries que temos agora pela frente”, assegurou.

Apesar de confiantes e sempre vigilantes, “o risco zero não existe”, sublinhou.

“Não existe aqui, não existe em nada, como sabemos todos. Mas estamos muito confiantes do trabalho que fizemos preventivo”, concluiu.