“É preciso olhar para a história do rio”, alerta bióloga Helena Freitas

Em conversa com o Conta Lá, a docente e bióloga Helena Freitas sublinha que é precisa uma “perceção diferente” acerca do rio Mondego e tomar medidas preventivas para lidar com cenários como o das últimas semanas.
Manuel Portugal
Manuel Portugal Jornalista
João Miguel Silva
João Miguel Silva Repórter de imagem
Redação
Redação
22 fev. 2026, 22:00

Se o momento que o país viveu nas últimas semanas foi de “enorme dificuldade”, reconhece a bióloga Helena Freitas, há também que pensar no futuro.

Num “sistema dinâmico e vivo” como acontece com os rios, esta perceção é essencial quando se fala em “aproximar as pessoas e a cidade do rio”.

“Aproximar e muito bem, mas aproximar é também ter uma perceção diferente do que o rio é: um sistema natural. Esta vitalidade do rio é tremendamente importante e o rio terá de ter a sua expressão natural. É preciso olhar para a história do rio e tentar reconectar com o seu espaço vital”, sublinha Helena Freitas.

“E quando o rio [como foi o caso do Mondego] tem muita água, tenderá a abraçar as margens e hoje o que se passa é que temos as nossas margens tipicamente impermeabilizadas, construímos sobre elas e não damos espaço a que o rio abrace o seu leito”, acrescenta.

Numa sociedade onde predomina a construção de edificado, a professora refere a necessidade de compatibilizar realidades. 

“Se queremos artificializar o sistema dinâmico que o rio representa, temos que o preparar para as circunstâncias que violam este estado mais estacionário com que hoje conseguimos olhar para ele. Temos que monitorizar as intervenções que fizemos, permanentemente, e ir adaptando às circunstâncias, sendo certo que aquilo que vivemos voltará a acontecer”, admite.