“O tempo urge”: autarca da Sertã exige verbas urgentes e alerta para prejuízos após tempestades

Em declarações à jornalista Estela Machado na rubrica Objetiva, do programa Juca, o presidente da Câmara da Sertã, Carlos Miranda, alertou para os prejuízos causados pelas tempestades e defendeu a necessidade urgente de reforço de verbas, após a visita do Presidente da República ao concelho.
Redação
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Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
07 abr. 2026, 12:40

Os prejuízos acumulam-se, as respostas continuam provisórias e o tempo começa a escassear. Foi este o cenário traçado pela Câmara da Sertã - o primeiro concelho a receber a presidência aberta - na sequência da visita do Presidente da República, António José Seguro, na segunda-feira, 6 de abril.

Em declarações à jornalista Estela Machado na rubrica Objetiva, do programa Juca, o presidente da autarquia, Carlos Miranda, admitiu que, após uma primeira fase de resposta às situações mais urgentes, muitas intervenções continuam assentes em soluções temporárias. “Resolvemos muitas delas de uma forma precária ou provisória”, afirmou. “É muito ainda o que falta fazer”, acrescentou, apontando atrasos na recuperação de escolas, pavilhões, edifícios de juntas de freguesia e várias vias de comunicação.

Um dos exemplos mais críticos é o corte da Estrada Nacional 2, em Pedrógão Pequeno, uma ligação estruturante que continua interrompida. “É uma estrada muito importante”, sublinhou, explicando que, apesar da alternativa do IC8, há veículos que não a podem utilizar, como tratores agrícolas. Sendo “a única ligação” para muitos utilizadores, o impacto já se reflete na economia local: “estamos a falar de prejuízos no pequeno comércio de Pedrógão Pequeno”.

A dimensão dos danos estende-se também à floresta, numa região onde esta assume um papel central. Grande parte da área florestal foi afetada e muitos caminhos continuam obstruídos, incluindo vias essenciais para a proteção civil. Só na Sertã, estão identificados mais de dois mil quilómetros de caminhos que precisam de intervenção. “Há aqui um trabalho gigantesco que é preciso fazer”, alertou.

Perante este cenário, Carlos Miranda procurou também mobilizar o Presidente da República como interlocutor junto do Governo. Reconhecendo que o chefe de Estado “vem para ouvir” e transmitir as preocupações, considera, no entanto, que as medidas anunciadas ficam aquém do necessário. A flexibilização das regras financeiras pode ajudar alguns municípios, mas, no caso da Sertã, “podem trazer aqui alguma pequena ajuda, mas não é isso que verdadeiramente é relevante”.

A prioridade, insiste, é garantir meios financeiros que permitam avançar no terreno com maior escala e rapidez. “O que é preciso é que o Governo transfira para as autarquias meios financeiros”, afirmou, sublinhando que sem esse reforço não será possível intensificar a contratação de empresas para a reconstrução e para a limpeza da floresta. “O tempo urge.”

Apesar do foco nos danos, o autarca deixou um alerta sobre a forma como estes territórios são percecionados. “Estes territórios têm grande potencial e grandes oportunidades”, afirmou, lembrando que tendem a ganhar visibilidade apenas em momentos de crise – uma imagem que, defende, precisa de ser contrariada com resultados no terreno.