A agricultura regenerativa que anda de autocarro
A Nestlé quer garantir que, até 2030, metade dos principais ingredientes que utiliza sejam provenientes de práticas agrícolas regenerativas. Para isso, a par de outras iniciativas, criou o “Regeneratour”, uma “experiência imersiva”.
A campanha serve essencialmente para explicar “como as práticas regenerativas estão a ser implementadas nas cadeias de abastecimento da Nestlé em Portugal e a nível global”, avança em nota enviada ao Conta Lá.
A agricultura regenerativa é um dos “principais pilares de Sustentabilidade” da Nestlé. Desde 2022 que a empresa tem vindo a apostar neste tipo de práticas, sendo que em três anos já investiu 750.000 euros na agricultura regenerativa.
Atualmente, trabalha com 11 agricultores locais, no Alentejo, em Évora, Elvas e Castro Verde num projeto que engloba mais de 1.500 hectares. A empresa garante que só em 2025, “foram produzidas 2.800 toneladas de grão de trigo necessário para a produção de papas infantis na Fábrica de Avanca, o que representa cerca de 25% do volume de grão comprado para os produtos de nutrição”.
O projeto Regeneratour, que surge como um reforço do “compromisso com a Agricultura Regenerativa”, foi idealizado para “dar a conhecer, de forma interativa e tecnológica, as principais iniciativas da Nestlé para promover esta transição”.
Trata-se concretamente de um autocarro interativo, que circula entre Portugal e Espanha. Na mesma nota, a Nestlé explica que no interior, “os visitantes podem explorar experiências digitais, conteúdos educativos e diferentes pontos de contacto, através de ecrãs táteis e conteúdos audiovisuais, num percurso guiado que convida à participação ativa”.
DR
“O veículo é movido a HVO (óleo vegetal hidrotratado), um biocombustível renovável que permite reduzir até 80% as emissões de CO₂”, acrescenta o comunicado, reforçando o compromisso com a sustentabilidade.
Um dos projetos que pode ser visto no autocarro, que neste momento já se encontra em Espanha, é por exemplo, o “CERELAC Seleção da Natureza”, produzido com trigo proveniente de agricultura regenerativa no Alentejo.

A par desta iniciativa, a Nestlé está a promover “visitas de escolas, universidades, parceiros institucionais e colaboradores”.
Segundo a Nestlé, há quatro pilares fulcrais na agricultura regenerativa, o solo, a água, a biodiversidade e a integração dos animais. “Para a pôr em prática, é preciso compreender como trabalhar com a natureza, e não contra ela”, sublinha.
Para isso dá, exemplos específicos de práticas que tem vindo a adotar neste sentido. Começando pelo pastoreio rotativo, que permite que os animais pastem numa área durante pouco tempo, e que “no Alentejo, já é uma realidade nos campos onde se cultiva o trigo utilizado nas papas de bebé da Nestlé”.
Além disso, no cultivo desses cereais, há “planos de fertilização adaptados à realidade de cada agricultor”, garantindo que se reduza ao máximo a quantidade de fertilizante utilizada. Uma outra prática nos projetos da Nestlé é a “plantação de culturas de cobertura para evitar solos descobertos”.
A empresa anunciou também mais duas colaborações internacionais, com a The Nature Conservancy (TNC) e com a Goodwall, a última com o objetivo de promover o envolvimento dos jovens na agricultura.