Academia Portuguesa de Cinema critica demolição de antigo Cinema Paris. Uma "perda irreparável com significado histórico e cultural"
O edifício do antigo Cinema Paris, na freguesia da Estrela, em Lisboa, vai ser demolido para dar lugar a um novo edifício com 19 habitações e um espaço comercial. A medida foi aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa, apesar dos votos contra da oposição, que critica a perda de mais um edifício com valor histórico e cultural para a capital lisboeta.
Agora, também a Academia Portuguesa de Cinema critica a medida, lamentando "a perda irreparável de um edifício com significado histórico, cultural e identitário para a cidade".
"Esta decisão evidencia uma ausência de visão estratégica relativamente ao papel dos cinemas de rua na vida cultural das comunidades e no desenvolvimento do setor cinematográfico nacional", acrescenta a Academia, numa nota divulgada esta segunda-feira.
Inaugurado em 1931 na Rua Domingos Sequeira, o antigo Cinema Paris encerrou definitivamente em 1985, encontrando-se devoluto há mais de quatro décadas.
A Academia Portuguesa de Cinema realça que é "fundamental reconhecer o valor estratégico destas salas para a construção de comunidades mais informadas, mais participativas e culturalmente mais ricas", acrescentando que a existência de uma rede de cinemas de rua e de proximidade é também uma condição essencial para a divulgação e sustentabilidade do cinema português.
A instituição considera urgente que as políticas culturais nacionais e locais integrem uma visão de longo prazo para a exibição cinematográfica, contemplando medidas de proteção, recuperação e dinamização das salas independentes e dos cinemas históricos, reconhecendo-os como infraestruturas culturais estratégicas para o país.
"O desaparecimento do Cinema Paris não deve ser encarado apenas como a perda de um edifício. Deve servir de alerta para a necessidade de uma reflexão profunda sobre o modelo cultural que queremos para Lisboa e para Portugal: um modelo que valorize a memória, promova a diversidade cultural e garanta condições efetivas para a circulação e afirmação do cinema português junto dos cidadãos", lê-se na nota.
A Academia Portuguesa de Cinema mostra-se disponível para participar ativamente neste debate e para colaborar na construção de uma estratégia que reconheça os cinemas de proximidade como agentes fundamentais da cultura, da educação e da coesão social.