Ainda há três mil clientes sem comunicações em Pombal dois meses depois das tempestades segundo a autarquia

Dois meses após as tempestades que atingiram Portugal, cerca de 3.000 clientes em Pombal continuam sem comunicações, afetando famílias e empresas. A falta de Internet e televisão mantém-se em várias zonas do concelho, com impacto direto na atividade económica, segundo o presidente da Câmara.
Agência Lusa
Agência Lusa
30 mar. 2026, 20:25

O concelho de Pombal, no distrito de Leiria, tem ainda 3.000 clientes sem comunicações, dois meses depois das tempestades que atingiram o país, disse esta segunda-feira o presidente da Câmara Municipal, Pedro Pimpão.

“Na semana passada, as operadoras diziam que tínhamos, só no concelho de Pombal, 3.000 clientes sem comunicações, tanto agregados familiares como agregados empresariais”, afirmou Pedro Pimpão.

O também vice-presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria falava esta tarde, em Pombal, num debate regional sobre o programa PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, organizado por aquela entidade intermunicipal.

Segundo Pedro Pimpão, uma das preocupações dos municípios que se mantém é a falta de comunicações, situação que se verifica numa “parte significativa” do concelho e da região, com pessoas sem Internet e televisão.

Além de “um problema para as famílias”, a falta de comunicações tem também impacto nas empresas, salientou.

“Hoje temos ainda, pelo menos do ‘feedback’ que temos, muitas empresas que não conseguem laborar na sua máxima capacidade, precisamente porque não têm as comunicações em ordem ou a 100%”, indicou.

Pedro Pimpão apontou como outra preocupação a limpeza dos caminhos florestais, exemplificando com o caso de Pombal, que na semana passada contabilizava 2.400 quilómetros por limpar, o que significa "ir daqui a Berlim", a capital alemã.

O autarca voltou ainda a falar da necessidade de financiamento, uma vez que, ao longo dos últimos dois meses, tem sido investido dinheiro do município, que teve de ser realocado “para fazer face a uma emergência”.

“Faz-nos falta esse dinheiro, primeiro para recuperarmos aquilo tudo que já foi gasto na recuperação do território e também para começarmos a fazer coisas novas. Essa é a componente que temos alguma expectativa que o PTRR possa ajudar”, adiantou.

O debate desta tarde contou ainda com a presença do presidente da Câmara de Castanheira de Pera, António Henriques, do presidente da Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria (Acilis), Lino Ferreira, do presidente do Instituto Politécnico de Leiria, Carlos Rabadão, e dos deputados da Assembleia da República Ricardo Carvalho (PSD), Catarina Louro (PS) e Luís Paulo Fernandes (Chega), a que juntou também o líder da Estrutura de Missão Recuperação Região Centro, Paulo Fernandes.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas