Aires Belém perdeu o negócio de uma vida e teve de sair de casa após mau tempo em Soure
“Foi o trabalho de uma vida inteira”, disse ao Conta Lá o empressário, ainda em choque, perante “prejuízos incalculáveis” e toneladas de material perdido. Apesar do cenário de devastação, o apoio dos clientes tem sido um sinal de esperança: muitos continuam a ligar, mantendo as encomendas como forma de ajuda. “Isso dá-nos alento para continuar”, admite.

Mas a perda não se ficou pelo armazém. O risco de cheias obrigou a família de Aires Belém a abandonar a própria casa, agora considerada inabitável. “Somos nómadas neste momento. Comemos de um lado, tomamos banho do outro”, descrevem, num quotidiano feito de incerteza. “O futuro a Deus pertence”, acrescentou, sem esconder a preocupação com os próximos tempos.
Enquanto a chuva dá algumas tréguas, a Junta de Freguesia tenta estabilizar os taludes do rio Arunca, numa corrida contra o tempo para proteger os campos do Mondego, na margem esquerda, e as habitações da margem direita. Em Vila Nova de Anços, a tempestade passou, mas as consequências continuam bem presentes.