Aldeia de Alvações do Corgo isolada: “Não temos dúvidas de que a estrada vai ceder"
“Começou pela ponte que faz a ligação entre Santa Marta de Penaguião e Alvações do Corvo. Uma das laterais da ponte, que é de pedra, caiu com a força da água a descer pelas vinhas”, relata Sílvia Silva, presidente da câmara de Santa Marta de Penaguião. Em entrevista ao Conta Lá, a autarca explica que as medidas implementadas não foram suficientes para manter a ponte segura e, por isso, foi necessário interditar a via devido ao risco de queda.
A aldeia de 402 habitantes ficou obrigada a fazer todos os acessos a partir do Peso da Régua, o que corresponde a um trajeto de cerca de 25 minutos de carro.
“Achávamos que [o corte da ponte] era o pior, mas aconteceu algo ainda pior”, revela Sílvia Silva. “A estrada de acesso principal a Alvações do Corvo tem umas aberturas enormes, já está a ceder na beira e o betuminoso já está mole. Não temos dúvidas que vai cair direitinha”, acrescenta. Também esta estrada foi interditada, o que deixou três casas completamente isoladas.
“Isto é uma aflição muito grande, porque temos um idoso que vive sozinho, está isolado e que precisamos de fazer chegar alimentação, medicação e estar atentos. Como é que chegamos àquela casa se uma ambulância não pode passar nem por um lado nem por outro?”, questiona.
Para a presidente do executivo, “Alvações do Corvo tem uma memória que não ajuda à calma”. Uma intempérie causou uma derrocada que destruiu uma casa e fez um morto em 2001. Por isso, “a população de Alvações do Corgo vive com o terror da imagem do passado”.
A presidente de Santa Marta de Penaguião recorda que a aldeia de Alvações do Corgo é património mundial pela UNESCO e faz parte do Alto Douro Vinhateiro. No entanto, a continuar assim, “o cartão de visita do Douro vai desaparecer”, afirma.
A autarca revela que os custos para refazer os acessos à aldeia podem superar os 300 mil euros. Os restantes estragos na aldeia estão relacionados com quedas de muros caminhos públicos e infraestruturas de vinhas, situação que se repete por todo o concelho. Além da situação na aldeia, que considera “mesmo muito grave”, também o cenário vivido pelos agricultores é preocupante.