Alimentos estragados ou águas contaminadas: cuidados práticos a ter com o mau tempo

O mau tempo tem provocado uma série de situações que preocupam as autoridades de saúde. Desde frigoríficos desligados, e consequente degradação de alimentos, passando pelas águas potencialmente contaminadas, até aos cuidados com geradores e subidas a telhados, são vários os cenários que preocupam a Direção-Geral da Saúde. O Conta lá foi, por isso, perceber que cuidados estão a ser recomendados.
Pedro Reis
Pedro Reis Jornalista
13 fev. 2026, 14:19

A propósito das sucessivas tempestades que têm fustigado o país e as consequentes quebras no fornecimento de luz, a Direção-Geral da Saúde lançou uma série de recomendações sobre comportamentos preventivos que as populações afetadas devem adotar em face a eventuais contaminações dos alimentos. 

Em entrevista ao Conta Lá, Pedro Ferreira, coordenador de saúde sazonal da DGS, diz que no que respeita à refrigeração, as populações devem levar em consideração o tempo de interrupção da energia. Assim, “no frigorífico, se a interrupção, não ultrapassar 12 horas, os alimentos poderão ter-se mantido em condições de segurança para consumo”. 

Já o congelador mantém os alimentos refrigerados até “48 horas (ou 24 horas se estiver meio vazio), desde que a porta permaneça fechada. Ainda assim é sugerido que os alimentos que estiveram no frigorífico ou congelador durante a interrupção devem ser consumidos ou confecionados o mais rapidamente possível, utilizando métodos que atinjam temperaturas superiores a 75 °C”.

Nos casos em que a interrupção de energia seja superior a 12 horas, recomenda-se o “descarte dos alimentos do frigorífico, com exceção dos hortícolas e fruta inteiros”. Por último, e para alimentos que foram atingidos pelas águas das cheias, a DGS deixa duas recomendações: os não embalados devem ser deitados ao lixo, ao passo que os produtos embalados podem ser consumidos desde que antes se proceda à lavagem do invólucro. 

Cuidados com a água

Recomenda também a DGS que “todas as fontes de água não ligadas à rede pública de abastecimento (p.e. poços ou minas), devem ser consideradas potencialmente contaminadas, pelo que o seu consumo deve ser evitado”. Caso não tenha acesso a água da rede pública a recomendação vai para o uso de água engarrafada. No limite, e se nem a esta última houver acesso, é sugerido “deixar a água ferver antes de usar ou desinfetar com lixívia sem corantes, detergentes ou perfumes (cerca de 2 gotas por litro de água)”.

São já várias as mortes que decorreram na sequência de subidas aos telhados ou intoxicações por gases provenientes de geradores, pelo que, também nestas situações, há preocupação por parte das autoridades. 

Em relação às tentativas de reparação de danos exteriores a DGS recomenda que, preferencialmente, as mesmas sejam feitas por profissionais. Quando isso não for possível apela a que a reparação seja feita “num período sem vento e chuva, sempre de forma acompanhada e com recurso a sistemas de segurança como, por exemplo, equipamentos de escalada. 

Já para os geradores a autoridade da saúde recomenda que devem sempre “ser colocados no exterior dos edifícios, a uma distância mínima de seis metros das habitações e com os sistemas de exaustão desviados de portas e janelas”.