Almeirim entre os concelhos com mais casos sinalizados de exploração de trabalho infantil

A CPCJ de Almeirim registou três casos de exploração de trabalho infantil em 2025, colocando o concelho entre os territórios portugueses com mais situações sinalizadas desta forma de violação dos direitos das crianças, segundo o mais recente Relatório Anual de Avaliação da Atividade das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens.
Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
10 jun. 2026, 15:08

A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Almeirim está entre as que registaram mais situações de exploração de trabalho infantil em Portugal durante 2025. O dado consta do Relatório Anual de Avaliação da Atividade das CPCJ e coloca o concelho no grupo dos territórios onde esta realidade, apesar de rara, foi identificada com maior frequência.

Ao longo do último ano foram diagnosticados três casos em Almeirim. Apenas o Montijo registou um número superior, com quatro situações, enquanto Sintra Ocidental apresentou igualmente três ocorrências. Apesar dos valores reduzidos, a presença do concelho neste grupo chama a atenção para um fenómeno que continua a existir, muitas vezes longe do olhar público.

Uma realidade pouco visível

A exploração de trabalho infantil representa uma das formas mais graves de violação dos direitos das crianças. Segundo o relatório, estas situações comprometem o desenvolvimento físico, emocional, educativo e social dos menores, surgindo frequentemente associadas a contextos de pobreza, exclusão social e fragilidade familiar.

A própria Comissão Nacional alerta que os números podem não refletir toda a dimensão do problema. A reduzida incidência estatística não significa necessariamente que existam poucos casos, mas pode resultar da dificuldade em identificar e sinalizar estas situações.

Essa possibilidade de subdiagnóstico é uma das conclusões destacadas no relatório. Muitas destas situações acontecem em ambientes fechados, dependem da denúncia de terceiros ou da capacidade das instituições para detetar sinais de exploração, o que dificulta o conhecimento real da dimensão do fenómeno.

Casos são poucos, mas considerados graves

No conjunto das situações acompanhadas pelas CPCJ, a exploração de trabalho infantil continua a surgir entre as tipologias menos frequentes. Ainda assim, os responsáveis pelo relatório sublinham que a baixa expressão estatística não reduz a gravidade dos casos identificados. Pelo contrário: cada ocorrência exige intervenção especializada e uma resposta rápida por parte das entidades de proteção.

A análise nacional mostra ainda que os casos surgem dispersos por diferentes regiões do país, desde áreas urbanas a concelhos de menor dimensão, o que demonstra que a exploração de trabalho infantil não está limitada a um contexto geográfico específico.

O desafio da prevenção

Perante estes dados, a Comissão Nacional defende o reforço das medidas de apoio às famílias, da vigilância comunitária e dos mecanismos de deteção precoce. O objetivo passa por identificar mais rapidamente situações em que crianças e jovens possam estar a ser utilizadas para atividades laborais inadequadas à sua idade ou colocadas em contextos de exploração económica.

Para os autores do relatório, a prevenção continua a ser a principal ferramenta para combater um fenómeno que permanece relativamente invisível, mas que deixa marcas profundas no percurso de quem o vive.

A presença de Almeirim entre os concelhos com mais casos sinalizados coloca o território entre aqueles onde esta realidade foi mais frequentemente identificada pelas CPCJ durante 2025. Os dados revelam que, apesar de pouco visível, a exploração de trabalho infantil continua a exigir atenção por parte das autoridades e da comunidade.