Assembleia Municipal de Lisboa aprova voto de pesar por António Lobo Antunes
A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou hoje por unanimidade um voto de pesar pela morte do escritor António Lobo Antunes, lembrando a vasta obra singular que deixa “à sua cidade”.
O voto de pesar, proposto pela Mesa da AML presidida por André Moz Caldas, foi aprovado na reunião extraordinária de hoje, com os votos a favor de todas as forças políticas, tendo sido guardado um minuto de silêncio em memória do escritor.
Realçando a sua “vasta obra literária”, a AML lembrou que o acervo de Lobo Antunes, oferecido pelo próprio ao município de Lisboa, passará a estar disponível na biblioteca que vai ter o seu nome, na freguesia de Benfica.
“O legado que deixa à sua cidade é o de um escritor que fez de Lisboa cenário universal onde a memória se recusa a ser esquecida”, refere o voto de pesar.
O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, morreu na quinta-feira aos 83 anos.
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.
A República Portuguesa condecorou o autor do “Memória de Elefante” com a grã-cruz da Ordem de Sant'Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras, em 2008. Foi Prémio Camões em 2007.
Na reunião de hoje, a AML aprovou também por unanimidade um voto de pesar pela morte do antigo governante e histórico militante do PSD Nuno Morais Sarmento, proposto pelos sociais-democratas, tendo sido guardado um minuto de silêncio em sua memória.
O advogado e antigo ministro da Presidência do governo liderado por Durão Barroso morreu na sexta-feira, aos 65 anos.
“Além das funções governativas e parlamentares, manteve ao longo dos anos uma presença ativa no debate público, sendo amplamente reconhecido pela sua inteligência política, cultura democrática e pela forma ponderada com que abordava os grandes temas nacionais”, refere o voto de pesar.
O grupo do PSD na AML realçou ainda a paixão de Morais Sarmento por Lisboa e pelo mar, “expressando sempre um profundo amor pela cidade que o viu nascer e pelo património marítimo que tanto valorizava”.