Associação ambientalista teme que mudança na gestão do centro do lince-ibérico ponha espécie em risco
A associação ambientalista FAPAS alertou esta sexta-feira para os riscos da alteração da gestão do Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI), de Silves, considerando que “decisões precipitadas” ou “processos opacos” podem colocar a espécie em risco.
O alerta da FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade - surge na sequência da decisão do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) de chamar a si a gestão do CNRLI, depois de durante mais de 16 anos ter entregado essa gestão a uma entidade privada, mediante concurso. Os atuais técnicos do centro têm também alertado para a importância de uma transição, que não está a ser feita, uma vez que a mudança deverá ocorrer no final do mês.
Num comunicado divulgado esta sexta-feira, a FAPAS manifesta “profunda preocupação” sobre a alteração e “potenciais consequências” do processo para a conservação do lince em Portugal e na Península Ibérica.
O CNRLI, diz, é um dos mais emblemáticos e bem-sucedidos projetos de conservação da Natureza a nível nacional e europeu, com uma importância que ultrapassa o contexto nacional, graças “a um trabalho técnico, científico e operacional altamente especializado”, desenvolvido por uma equipa “com experiência acumulada e reconhecimento internacional”.
A associação refere dúvidas sobre a forma como está a ser conduzido o processo de transferência, aponta a falta de um diálogo aberto e participado ou de um plano de transição claro, assinala o risco de afastamento da equipa técnica responsável pelo sucesso do programa, e alerta para a eventual perda de conhecimento especializado.
Destaca também o “impacto potencial no bem-estar dos animais em cativeiro e nos processos de reprodução e de reintrodução”, e as “consequências para a continuidade do programa ibérico de conservação do lince-ibérico”.
A conservação da espécie exige estabilidade, continuidade técnica e respeito pelo conhecimento cientifico e pela experiência acumulada, pelo que a “substituição abrupta” de equipas altamente qualificadas, sem um processo de transição adequado, pode “comprometer seriamente os resultados alcançados até à data e colocar em risco um património biológico de valor incalculável”, considera a associação no comunicado.
A FAPAS apela ao ICNF e ao Governo que esclareçam os fundamentos da decisão de alterar a gestão, apresentem um plano de transição detalhado, assegurem a manutenção da equipa técnica atual, garantam condições laborais justas aos profissionais envolvidos, assegurem a continuidade da cooperação ibérica, e que salvaguardem o bem-estar dos animais e a integridade do programa.