Associação Ocean Alive pede valorização das pradarias marinhas

A Ocean Alive defendeu hoje uma abordagem integrada na recuperação dos habitats marinhos e a valorização das pradarias marinhas, no Dia Mundial das Ervas Marinhas.

Agência Lusa
Agência Lusa
01 mar. 2026, 10:39

A organização não-governamental Ocean Alive defendeu hoje a necessidade de uma “abordagem integrada” na recuperação dos habitats marinhos e estuarinos e pediu a valorização das pradarias marinhas.

A propósito do Dia Mundial das Ervas Marinhas, que hoje se assinala, a organização focada no estuário do rio Sado afirma que só um equilíbrio ecológico e económico dos territórios “sustentará a biodiversidade, a pesca e a proteção das zonas costeiras.”

Em comunicado, pede também a adoção de “medidas transformadoras” que conciliem a conservação da natureza com as atividades humanas, ação climática e futuro das comunidades costeiras.

A Ocean Alive, que trabalha há mais de uma década o estuário do Sado com comunidades piscatórias, escolas, investigadores e decisores, diz que uma “visão integrada” tem contribuído para um maior reconhecimento da importância das florestas marinhas nas políticas públicas.

A organização sublinha a inclusão das pradarias marinhas e dos sapais na Lei do Clima como sumidouros naturais de carbono, e acrescenta que o recente programa Floresta Azul, criado pelos ministérios do Ambiente e da Agricultura, “veio reforçar a relevância do mapeamento, restauro e conservação destes sistemas costeiros, abrindo novas perspetivas de financiamento e atuação à escala nacional”.

“Trabalhámos mais de uma década para dar visibilidade às pradarias marinhas. Aprendemos com as comunidades que não podemos olhar só para um habitat. Temos de olhar para o estuário como um todo”, diz, citada no comunicado, Raquel Gaspar, co-fundadora da Ocean Alive.

A organização sublinha que, para manter e restaurar as pradarias marinhas, é preciso que os seus benefícios sejam valorizados nos processos de decisão que afetam o território.

E acrescenta que uma medida de justiça ambiental será a valorização dos serviços de ecossistema associados às pradarias marinhas, nos processos de avaliação de impacto ambiental.

O Dia Mundial das Ervas Marinhas foi proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2022, sob proposta do Sri Lanka, para alertar para a necessidade de proteger e conservar esses ecossistemas.

As ervas marinhas são plantas com flores em águas rasas de litorais em todos os continentes, menos na Antártida, diz a ONU, explicando que a vegetação forma prados que proporcionam alimentos e sustentam algumas das maiores pescarias do mundo incluindo o bacalhau do Atlântico.

São ecossistemas, acrescenta a ONU, que formam habitats complexos, altamente produtivos e biologicamente ricos, e fornecem alimentos e abrigos para milhares de espécies marinhas como tartarugas, peixes e cavalos-marinhos.

E ainda protegem as populações costeiras de inundações, amortecendo a energia das ondas, melhoram a qualidade da água e armazenam até 8% do carbono oceânico mundial.

As Nações Unidas pedem aos países que promovam ações de conservação da vegetação que vai dos trópicos ao Círculo Polar Ártico cobrindo 0,1% do fundo do oceano.

A Ocean Alive é uma organização não-governamental dedicada à conservação e ao restauro das florestas marinhas, envolvendo comunidades locais, cientistas e decisores políticos.