'Astro ovos': mais de 200 estudantes testam criatividade em Constância
Mais de 200 estudantes de todo o país vão invadir o Centro Ciência Viva de Constância – Parque de Astronomia para uma missão pouco convencional: construir uma nave capaz de fazer aterrar ovos num planeta fictício, como se fossem verdadeiros engenheiros aeroespaciais.
A terceira edição da iniciativa “Astro Ovo”, que acontece esta quarta-feira, dia 19 de março, organizada pelo ESERO Portugal, numa colaboração entre a Ciência Viva e a ESA - Agência Espacial Europeia, foi pensada para aproximar os jovens da ciência e da engenharia, numa experiência que junta aprendizagem e diversão.
A diretora executiva da entidade organizadora, Ana Noronha, explica que a “a iniciativa pretende dar aos mais jovens a oportunidade de sentir o que é fazer uma missão espacial (...) e demonstrarem a sua criatividade”.
O desafio é simples no conceito, mas exigente na prática: cada equipa terá de construir um modelo de aterragem capaz de proteger um ovo de uma queda que pode atingir até 10 metros, dependendo da idade dos participantes.
No entanto, o objetivo vai além da construção do próprio instrumento de aterragem. "Cada material utilizado para a construção, sejam palhinhas ou pauzinhos de madeira, tem de ser levantados (...) e cada um desses materiais tem um custo”. Ou seja, os participantes têm não só de construir uma estrutura que permita fazer aterrar o ovo em segurança, “como fazer com que a missão tenha o custo mais baixo possível”, recorda Ana Noronha.
Para tal os estudantes, do ensino pré-escolar ao secundário, não recorrem apenas aos conceitos científicos, como também desenvolvem competências essenciais, desde o trabalho de equipa, a comunicação e o pensamento crítico. “Neste projeto ninguém se vai aborrecer”, garante Ana Noronha, até porque há ainda espaço para a criatividade, com cada ovo a poder ser decorado ao gosto dos participantes.
Mais do que ciência, o desafio permitirá transmitir conhecimentos da vida quotidiana, nomeadamente quando alguns ovos resistirem à queda, permitindo aos jovens aprenderem a lidar com as falhas e os erros, assumindo que fazem parte do processo. A diretora do Ciência Viva reforça que “aprender a superar esse falhanço é aprender também aprender a reagir psicologicamente”, o que permite desenvolver várias competências através de uma única atividade.
Até ao dia da contrução
Embora o momento alto desta edição aconteça em Constância, no distrito de Santarém, esta experiência é apenas o culminar de meses de trabalho junto das escolas. Cerca de 400 alunos participaram numa fase inicial do projeto, construindo protótipos e apresentando projetos dos modelos de aterragem em vídeo, dos quais apenas metade passaram à realização da atividade, que agora acontece em Constança.
Este ano, os estudantes apurados representam 19 escolas de várias regiões do país, incluindo Açores, Faro, Porto, Lisboa, Ponte de Sor, Elvas, Marvão, Castelo Branco, Santarém e Setúbal, traduzindo o alcance nacional do projeto.
Mais do que uma competição, o “Astro Ovo” é uma experiência que transforma ideias em ação: os jovens veem os projetos que desenharam desde a inscrição ganharem forma, testando as suas soluções na prática e aprendendo a lidar com desafios, falhas e sucessos. Cada módulo de aterragem, cada ovo lançado, é uma oportunidade de desenvolver o pensamento crítico, criatividade, trabalho em equipa e resiliência, mostrando que a ciência e a engenharia podem ser ao mesmo tempo desafiadoras e divertidas.