Autarquia de Baião tem dúvidas sobre central fotovoltaica no Marão: "Talvez não seja o local ideal”

A Câmara de Baião está a avaliar o projeto de uma central fotovoltaica na Serra do Marão, admitindo dúvidas sobre a adequação da localização. A população local tem manifestado preocupação, com uma petição a pedir a suspensão do processo de licenciamento. O projeto prevê a instalação de cerca de 25 mil painéis solares numa área integrada na Rede Natura 2000.

 
Agência Lusa
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19 mar. 2026, 12:15

A presidente da Câmara de Baião disse esta quinta-feira que está a ser feita uma avaliação multidisciplinar do projeto fotovoltaico na Serra do Marão, considerando que “talvez não seja o local ideal” para a instalação de 25 mil painéis solares.

“Somos obviamente a favor e somos impulsionadores do uso de energias renováveis, mas talvez não seja o local ideal”, afirmou à Lusa Ana Azevedo.

O projeto de hibridização fotovoltaica do Parque Eólico de Penedo Ruivo, proposto pela empresa EnergieKontor, prevê uma produção anual líquida de 24,86 gigawatt-hora e visa produzir energia elétrica através de sistema fotovoltaico em hibridização com o parque eólico existente.

Segundo o Estudo de Impacte Ambiental (EIA), a área de implementação é de 21 hectares, dos quais cerca de sete serão ocupados com painéis solares, naquele território que abrange os concelhos de Baião e de Amarante, no distrito do Porto.

A consulta pública do projeto decorre até 24 de abril e, até às 11h30 desta quinta-feira, deram entrada 86 participações no portal Participa.

Ana Azevedo lembrou que o Marão pertence à Rede Natura 2000, que a zona se estende à Serra da Aboboreira e que este é um território onde se desenvolve turismo de natureza devido às paisagens e aos trilhos.

A autarca disse que só recentemente soube do projeto proposto para a Serra do Marão, concretizou que o pedido para a divulgação dos editais para o início da consulta pública chegou ao município no dia 11 e que, na terça-feira, recebeu um pedido de um parecer por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Por causa da complexidade e até mesmo do volume da documentação, Ana Azevedo explicou que a câmara está, neste momento, a fazer uma avaliação multidisciplinar do projeto.

O parecer da autarquia terá que ser remetido à APA até 28 de abril.

Pela ligação das populações à serra, a autarca afirmou também compreender a apreensão, o medo e até alguma revolta que o projeto está gerar.

Uma petição já subscrita por mais de 1.728 pessoas, também até às 11h30 desta quinta-feira, pede a suspensão do processo de licenciamento da central fotovoltaica proposta para o Parque Eólico Penedo Ruivo até ser realizada uma avaliação ambiental “mais aprofundada e independente”.

O texto da petição refere que a “introdução de milhares de painéis solares e novas infraestruturas poderá alterar significativamente a paisagem e reduzir o valor natural que torna o Marão um destino procurado”.

Critica o projeto por incidir “numa zona sensível do ponto de vista ambiental, inserida em áreas classificadas da Rede Natura 2000 e com presença de habitats e espécies que dependem do equilíbrio ecológico da serra”.

Segundo o EIA, a central exigirá a beneficiação e criação de acessos e a construção tem uma duração prevista de um ano, seguindo-se uma fase de exploração de 30 anos.