Balcão Móvel leva apoio às vítimas da depressão Kristin em Pedrógão Grande
Mais de uma dúzia de pessoas deslocou-se esta manhã à Junta de Freguesia da Graça, no concelho de Pedrógão Grande, para serem ajudados por técnicos do Balcão Móvel de Atendimento do Espaço do Cidadão, no acesso aos apoios.
Três técnicos vindos de Lisboa passaram a manhã a informar e esclarecer os interessados nos processos de ajuda governamentais para compensar os prejuízos provocados pela depressão Kristin, na madrugada de 28 de janeiro.
Apesar dos vários atendimentos, pouco antes do meio-dia os técnicos só haviam submetido um processo, já que a maioria das pessoas desconhecia os formalismos e os documentos necessários. À tarde estão em Vila Facaia, também no concelho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria.
“Venho ver como se processa, já que tive muitos prejuízos na habitação, que é praticamente nova”, disse à agência Lusa Fernando Godinho, da Atalaia Cimeira, que veio acompanhado da mulher.
Numa freguesia bastante afetada pela depressão Kristin, cujos vestígios são ainda muito visíveis, Maria Assunção Ribeiro, da localidade de Marinha, não esconde a mágoa pela dimensão dos prejuízos e o facto de ter estado 10 dias sem energia elétrica.
“Preciso de ajuda para instruir o processo. Tive telhados da casa e dos anexos levantados, chaminé caída e ainda não consegui ninguém para dar orçamento dos estragos”, desabafou à agência Lusa.
Já Armando Graça deslocou-me propositadamente dos Estados Unidos da América, onde está emigrado há mais de 40 anos, para tratar dos estragos na sua habitação, depois da falta de comunicações não lhe permitir contactos para a zona afetada.
“Já nos incêndios de 2017 foi o mesmo. É lamentável que em pleno século XXI não exista um sistema de comunicações que funciona quando existem estes fenómenos da natureza”, enfatizou à agência Lusa.
A residir num alojamento local no concelho vizinho de Figueiró dos Vinhos, por falta de condições na sua habitação, Armindo Graça também entrou em contacto com os técnicos do Balcão Móvel de Atendimento para perceber o que precisa de fazer para obter os apoios anunciados pelo Governo.
Aos 84 anos de idade, Joaquim Godinho, da Atalaia Cimeira, manifestou dificuldades para submeter o processo de apoio, depois da tempestade lhe ter provocado também estragos no telhado da casa e dos anexos.
“Venho aqui, porque toda a ajuda é bem-vinda e o pouco que venha é sempre muito para nós”, frisou o octogenário, reiterando que “não é exigente” e receberá o que lhe “quiserem atribuir”.
Revoltada com a situação, Manuela Rodrigues, da Bouçã dos Covais, lamentou à Lusa que tenha sido obrigada a alugar um gerador em Coimbra para ter energia na sua residência de forma que o marido possa dormir com a máquina para a apneia do sono.
“Sei que foi uma catástrofe para todos, mas ninguém apareceu a perguntar nada. Não tiveram sensibilidade para nada, com uma falta de humanismo”, queixou-se Manuela Rodrigues, denunciando que a sua aldeia, com as vizinhas de Bouçã e Vale Neto, todas na freguesia da Graça, estão sem eletricidade há 15 dias.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.