Belém recebe manifestações a favor e contra Luiz Inácio Lula da Silva durante visita a Lisboa

Centenas de pessoas concentraram-se junto ao Palácio de Belém, em Lisboa, em ações de apoio e de protesto contra a visita de Lula da Silva, numa mobilização marcada por forte presença policial e divisão entre manifestantes.

Agência Lusa
Agência Lusa
21 abr. 2026, 14:08

Algumas centenas de pessoas concentraram-se hoje em frente ao Palácio de Belém, em Lisboa, numa concentração de apoio ao presidente brasileiro Lula da Silva, e noutra manifestação contra, promovida pelo partido Chega.

Na manifestação convocada pelo Chega contra a presença do Presidente do Brasil em Lisboa gritou-se pelo partido e também pelo seu líder, André Ventura.

Os manifestantes, entre os quais vários deputados e dirigentes do Chega, gritaram "Lula ladrão, o teu lugar é na prisão", "Lula, ouve lá, não te queremos cá" ou “vergonha, traição, cadeia é solução”, e chamam pelo anterior Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

Levantam também cartazes com a imagem do Presidente brasileiro vestido com riscas brancas e pretas, como se estivesse atrás das grades. Noutros cartazes lê-se ainda "lugar de ladrão é na prisão" ou "tolerância zero à corrupção", com as imagens de Lula e do antigo primeiro-ministro José Sócrates.

Estes apoiantes têm, igualmente, bandeiras do Chega, do Brasil e de Portugal, e algemas.

Também no jardim Afonso de Albuquerque, do outro lado da estrada em frente ao Palácio de Belém, estão concentrados mais de uma centena de apoiantes de Lula da Silva, na maioria brasileiros, com bandeiras e t-shirts do Partidos dos Trabalhadores (PT), partido do chefe de Estado brasileiro, e também com a sua cara, além de bandeiras do Brasil e de Portugal.

Estes manifestantes têm uma faixa onde se lê "Lula, Portugal te recebe de braços abertos" e outra "Lula 2026" e vão gritando "Lula, guerreiro do povo brasileiro", "Portugal tem futuro com Lula e Seguro" ou "olé, olá, Lula, Lula".

Ambas as concentrações estão delimitadas por grades e fitas da polícia, e no local está um forte dispositivo policial, mais concentrado do lado dos apoiantes de Lula.

O líder do Chega juntou-se à manifestação perto das 13:00, vestido com uma t-shirt branca do partido, com a inscrição “André Ventura 1” nas costas, que disse ter-lhe sido dada por “um brasileiro que vive em Lisboa e que de repente está preso no Brasil”.

À chegada, André Ventura foi abordado por apoiantes para tirar fotografias mas também por um jovem que lhe disse que não concorda com esta manifestação convocada pelo Chega.

“Cada vez que o Lula da Silva vem cá, o Chega faz o que as pessoas dignas deviam fazer, que é protestar, dizer que nós não queremos corrupção, que o Presidente do Brasil não pode andar pela Europa toda a dizer que nós temos é que abrir mais as portas mesmo aos criminosos”, afirmou o líder do Chega em declarações aos jornalistas quando se juntou à manifestação.

 Ventura defendeu que “na política não pode valer tudo” e fez uma comparação: “Nós hoje também não receberíamos em Portugal o Presidente da Coreia do Norte ou outros, que são assassinos e que são corruptos”.

Questionado se não receberia Lula da Silva caso fosse primeiro-ministro ou Presidente da República, André Ventura afirmou que “é de evitar” a presença de “corruptos” em Portugal.

André Ventura deverá discursar também aos presentes num palco montado para o efeito, mas antes falaram vários deputados e dirigentes do partido, além de cidadãos brasileiros e um pastor evangélico.

Ao longo das várias intervenções sucederam-se as críticas a Lula da Silva e também ao Presidente da República, António José Seguro, por o receber.

O líder parlamentar, Pedro Pinto, foi um dos que subiu ao palco para se dirigir aos manifestantes, e afirmou que o Chega só quer em Portugal “os brasileiros que trabalham” e que “vêm por bem”, e “outros podem ir embora”.

Também o deputado Bruno Nunes sugeriu que os “desempregados e desocupados” que participavam na outra manifestação “têm tudo no Brasil para poder voltar” e, por isso, “não têm desculpa para ficar cá, voltem para lá”.

“António José Seguro ao receber hoje demonstra o conluio que existe constante entre o PS e terroristas pelo mundo inteiro, ditadores, governos ligados ao narcotráfico”, alegou o deputado, que deixou também uma mensagem ao Presidente dos Estados Unidos: “Donald Trump, se não sabes o caminho para o Brasil, nós emprestamos-te as cartas que tínhamos de 1500”.