Bilheteiras com 8 milhões de receitas em janeiro, o melhor desde 2004
Os dados significam que o mercado da exibição comercial de cinema teve o melhor começo de ano, em termos de receitas, desde 2004, quando o ICA começou a coligir dados estatísticos.
Em termos de audiência, em janeiro os cinemas somaram 1.277.458 espectadores, o que representa o melhor janeiro desde 2016 (1.301.631 entradas).
Comparando com o começo de 2025, janeiro registou aumentos de 27,4% em receita de bilheteiras e de 17,7% no número de espectadores, possivelmente impulsionados pela prestação dos dois filmes mais vistos neste mês: “A Criada”, de Paul Feig, e “Avatar: Fogo e Cinzas”, de James Cameron.
Segundo o ICA, “A Criada”, que se estreou a 01 de janeiro, foi visto por 425.424 espectadores e registou 2,8 milhões de euros de bilheteira, enquanto “Avatar: Fogo e Cinzas”, estreado a 17 de dezembro, registou 246.445 entradas e 2,1 milhões de euros de bilheteira.
Em janeiro, a distribuidora Pris Audiovisuais, que distribuiu “A Criada”, teve um aumento de 1.500% de receita de bilheteira (2,9 milhões de euros), face aos 180 mil euros obtidos em janeiro de 2025.
Segundo os dados do ICA, “Os Enforcados”, coprodução luso-brasileira de Fernando Coimbra, é o filme português mais visto em sala em janeiro, com 1.418 espectadores, seguido de “Justa”, de Teresa Villaverde, com 625 espectadores.
Apesar dos bons números, há menos salas de cinema
A exibição cinematográfica em Portugal, em janeiro, aconteceu em 450 salas de cinema, o que significa menos 112 salas face a 2025.
Estes dados já refletem os encerramentos de salas de cinema ocorridos nos últimos meses, em particular pelo fecho dos complexos da exibidora Orient Cineplace, alvo de um processo de insolvência.
Segundo o ICA, o ano de 2025 terminou com 562 salas de cinema a operarem no país, com a exibidora NOS Lusomundo Cinemas a liderar, com 213 salas, seguida da Cineplace, que explorava 58 salas, e da UCI, com 42 salas.
O panorama da exibição de cinema é aferido através da informação estatística produzida pelo ICA, a partir dos dados informatizados de bilheteira que são reportados pelas salas e exibidoras, sejam empresas, autarquias, cineclubes ou outras associações.
Na análise global ao país, os dados são necessariamente parciais, porque há concelhos que não transmitem dados informatizados ao ICA, ou seja, podem ter algum tipo de oferta de cinema em equipamentos culturais municipais, mas a informação não chega àquele instituto.
Com a informação recolhida, o ICA indica que 2026 começou com um total de 450 salas de cinema, o que significa menos 112 ecrãs do que em 2025.
Além do fecho da Cineplace, destaca-se a perda de salas da NOS Lusomundo Cinemas, nomeadamente pelo encerramento do complexo Alvaláxia, em Lisboa, totalizando esta exibidora, em janeiro, 196 salas.
Com o encerramento de salas de cinema ocorrido nos últimos meses, há cinco capitais de distrito sem exibição comercial regular de cinema: Viana do Castelo, Guarda, Bragança, Beja e Portalegre.
Por circunstâncias do mau tempo ocorrido nas últimas semanas na região centro, que levaram à inundação do complexo Cinema City de Leiria, e pelo encerramento dos cinemas Cineplace, Leiria atualmente está sem exibição comercial regular de cinema.