Burro Mirandês, o animal dócil e inteligente que está em vias de extinção. Pai e filho são criadores da raça

É uma raça única no mundo, mas, em Portugal, existem apenas 870 exemplares. O burro mirandês sofreu a evolução dos tempos depois de deixar de ser utilizado para trabalhos agrícolas. O Conta Lá foi conhecer a missão de quem tenta preservar este animal.
Pedro Marcos Editor de imagem
Ana Rita Cristovão
Ana Rita Cristovão Jornalista
João Lacerda
Francisco Maia Editor de imagem
19 mar. 2026, 20:30

“São da minha família. Há dias em que não andamos tão bem psicologicamente e eles notam isso, sentem aquilo que nós sentimos e cuidam de nós”.

As palavras sentidas são de José Mário Pinto. Aos 65 anos, é um dos cerca de 500 criadores no país que preserva esta raça autóctone do Alto Minho.

Mas se outrora o burro era a figura central da sociedade mirandesa, devido ao papel crucial na execução do trabalho árduo da vida agrícola, hoje, com a evolução das máquinas, a raça viu-se resignada ao esquecimento e em risco de vias de extinção.

“Em tempos usávamos mais, quando tínhamos o milho, batatas, ajudavam-nos a fazer os sulcos. Neste momento, pouco trabalho fazem (…) ajudam a limpar os terrenos, a preservar a natureza”, admite José Mário ao Conta Lá.

De pelagem castanha, porte robusto e orelhas compridas – conhecidas também como campainhas – é o carácter dócil e meigo destes animais que faz do burro ainda hoje uma “companhia amigável”.

“Por ser um animal tão dócil, tão meigo, é um animal que requer muita atenção, é muito leal e é isso que me fascina nesta raça. Com outros animais não conseguiríamos ter este contacto”, admite Mário André Pinto, filho de José Mário. 

Aos 32 anos, lado a lado com o pai, é o sucessor desta missão de preservar o burro mirandês, cujo carinho vem já desde os tempos do avô.

“Neste momento conseguimos ter nove animais, todos com nome: a Uva, a Castela, a Ortiga, o Rio, que é o nosso macho reprodutor, a Joaninha, a Sopa, a Preta e o Valente, o mais recente membro, com três meses”, enumera.

Com acompanhamento veterinário regular por parte da Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, o trabalho de preservação é fundamental para conseguir aumentar o número de exemplares e sair da zona de perigo de extinção. 

Atualmente, existem em Portugal 750 fêmeas e 120 machos reprodutores, números mais animadores do que os registados no início do século, mas ainda aquém do desejável para a salvaguarda da espécie.