Câmara de Coimbra vai comprar colégio do século XVI na Rua da Sofia

Em dezembro de 2025, fonte oficial da Câmara de Coimbra salientava que o colégio se revestia “de grande importância e singularidade” e que a autarquia estava “muito atenta e empenhada em contribuir para a requalificação da Rua da Sofia”.
Agência Lusa
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20 abr. 2026, 16:05

A Câmara de Coimbra vai exercer o direito de preferência para comprar por 1,35 milhões de euros o Colégio de São Boaventura, datado do século XVI e que integra o conjunto classificado como Património da Humanidade.

O exercício do direito de preferência por 1,35 milhões de euros está incluído numa proposta de revisão mais ampla do Orçamento Municipal de Coimbra, que dá conta da compra de nove frações daquele prédio urbano situado na Rua da Sofia, numa proposta que apenas contou com o voto contra da ex-vereadora do Chega, Maria Lencastre.

O documento refere que a compra daquele colégio foi feita através do reforço da receita municipal, com o encaixe financeiro de 1,448 milhões de euros relativos à contrapartida no âmbito do processo de reabilitação e concessão da Piscina de Celas.

“A Câmara de Coimbra vai passar a ser detentora de um colégio na Baixa de Coimbra”, afirmou o vereador com a pasta das Finanças, Luís Filipe, referindo que a contrapartida recebida com a Piscina de Celas “abriu essa oportunidade”.

O vereador disse que o município fez “um bom negócio” e recordou que o valor de compra é mais baixo do que o valor fixado para venda há algum tempo (cerca de 1,8 milhões de euros).

“É um bom negócio face à perspetiva inicial”, frisou.

A presidente da Câmara, Ana Abrunhosa (PS/Livre/PAN), deu nota de que não teria sido prudente para o município manifestar “logo interesse” no imóvel, o que poderia afetar o valor de mercado.

O anterior presidente do município e atual vereador na oposição, José Manuel Silva (eleito por uma coligação liderada pelo PSD), deu os parabéns ao executivo pela compra do colégio e por ter “aproveitado esta oportunidade”.

Em dezembro de 2025, a agência Lusa noticiou que o imóvel estava à venda por 1,75 milhões de euros, a que se juntavam outras duas frações (que incluem a antiga nave da igreja do colégio), que são detidas por outros dois proprietários e que estão à venda por 750 mil euros, disse, na altura, o agente imobiliário Miguel Cunha.

O colégio, situado na Rua da Sofia, começou a ser construído em 1543 e viria a encerrar no século XIX, com o fim das ordens religiosas, tendo tido diversas ocupações desde então, como uma serralharia, ou, no século XX, no rés-do-chão, o supermercado Reis & Simões que fechou no final dos anos 1990 e cujos herdeiros avançaram há uns anos com a decisão da venda do imóvel, que se encontra desocupado (um dos últimos inquilinos a sair foi o PCP, que tinha lá o seu Centro de Trabalho).

À Lusa, o agente imobiliário disse que o município deu nota do exercício de direito de preferência “há cerca de dez dias”, referindo que estava previsto a escritura com compradores privados acontecer neste mês, depois de o contrato promessa de compra e venda ter sido assinado há cerca de 90 dias.

Em dezembro de 2025, fonte oficial da Câmara de Coimbra salientava que o colégio se revestia “de grande importância e singularidade” e que a autarquia estava “muito atenta e empenhada em contribuir para a requalificação da Rua da Sofia”.

Apesar disso, admitia, na altura, que seria difícil avançar com uma compra do edifício face ao “estado das finanças do município”.