Câmara do Porto aposta em campanhas para reduzir ruído na Movida

A Câmara do Porto apresentou um plano de comunicação para sensibilizar para comportamentos responsáveis na zona da Movida. A campanha inclui mensagens em autocarros, mupis, placas ilustradas e frases no chão para alertar para o impacto do ruído e da convivência noturna.
Agência Lusa
Agência Lusa
07 mai. 2026, 19:21

Vídeos em mupis, mensagens em autocarros, placas toponímicas ilustradas e frases pintadas no chão são algumas das ferramentas do novo plano de comunicação da Câmara do Porto para sensibilizar para adoção de boas práticas na zona da Movida.

Este novo plano, cujas ações de sensibilização já poderão começar a ser esta quinta-feira vistas pelas cidade, foi apresentado no Cinema Batalha e pretende “promover uma convivência equilibrada entre todos os intervenientes da Movida”, desde moradores, a empresários e a quem frequenta esta zona, explicou o vereador com o pelouro do Economia e Empreendedorismo, Hugo Beirão.

Durante os próximos seis meses, esta ação quer dar “visibilidade às várias problemáticas” e “incentivar a comportamentos responsáveis” no espaço público para que a noite na cidade “proporcione diversão, mas assegure a segurança e a tranquilidade”.

Coube à chefe do Gabinete da Movida, Maria Costa Martins, e a Alexandre Sousa, um dos responsáveis da agência de comunicação Bastarda, responsável por elaborar o plano, apresentar algumas das ações futuras que estão previstas.

Numa das zonas com mais ruído, a autarquia vai instalar uma projeção que vai mudando “quando o barulho se tornar excessivo”, e que passará uma mensagem a assinalar que naquela zona moram pessoas, e em algumas ruas será usada tinta fotoluminescente para pintar no chão frases como “tu sabes estar”, que estarão ainda presentes em mupis estáticos espalhados pela cidade.

Haverá placas toponímicas com ilustrações de artistas portuenses para consciencializar para os principais problemas da vida noturna e os autocarros da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), quando fizerem paragens em zonas da Movida, vão passar a mensagem de áudio “estás na Movida do Porto, aqui moram 2.387 pessoas, lembra-te delas quando saíres”.

“Temos total consciência de que este plano de comunicação (..) não é uma solução milagrosa - e também sabemos que essas não existem - mas acreditamos no poder da comunicação como uma ferramenta para alertar”, ressalvou Maria Costa Martins.

A agência Bastarda desafiou ainda o município a criar ‘merchandising’ para a Movida.

“Não quisemos fazer o óbvio(...). [Criámos] um porta-chaves que brilha no escuro e vamos ter uns cones [de estacionamento] que vamos espalhar pela rua e que nós sabemos que vão ser roubados quase de certeza, mas esse é o objetivo”, brincou Maria Costa Martins.

E Alexandre Sousa completou: “estes cones são da zona da Movida e estão presentes na rua (...). Sintam-se à vontade para roubar estes cones e não os outros cones que são necessários no dia a seguir para alguém trabalhar”.

A Movida do Porto, na baixa da cidade, tem um regulamento próprio para, de acordo com o ‘site’ do município, “proteger a qualidade de vida e segurança dos cidadãos, assegurar o desenvolvimento económico local e gerar critérios de harmonização entre os atores da economia noturna” e delimita três zonas com regras diferentes: o “Núcleo da Movida”; a “Zona Protegida” e a “Zona de Contenção”.

Ruído excessivo, lixo no chão, insegurança, comportamentos inadequados, danos à via pública, conflitos e 'botellon' são algumas das problemáticas na zona da Movida para as quais a autarquia quer consciencializar.