Câmara e Universidade de Coimbra analisam impacto das cheias de fevereiro em debate

Especialistas, autarcas e responsáveis de entidades nacionais reúnem-se em Coimbra para discutir o impacto das cheias que provocaram o colapso de um dique e cortes em importantes vias rodoviárias. A iniciativa pretende avaliar o funcionamento das infraestruturas hidráulicas do Mondego após os episódios de cheia que afetaram vários concelhos e causaram prejuízos de milhões de euros.
Agência Lusa
Agência Lusa
13 mar. 2026, 08:40

A Câmara e a Universidade de Coimbra promovem esta sexta-feira uma sessão pública a propósito das cheias que atingiram a região em fevereiro e que impediram a circulação na autoestrada 1, após o colapso de um dique do rio Mondego.

A iniciativa “Levar a sério o desafio. Análise das cheias do Mondego de fevereiro de 2026”, às 15 horas, precisamente debaixo do dique do viaduto da A1, que também colapsou, pretende “analisar os episódios de cheia registados recentemente na bacia do rio Mondego e promover uma reflexão técnica sobre o funcionamento das infraestruturas hidráulicas e a gestão do risco de inundação em Portugal”.

No painel está, além da presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado.

O evento começa com uma conferência pelo professor catedrático aposentado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e antigo reitor da Universidade de Coimbra, Fernando Seabra Santos.

A mesa-redonda conta ainda com a participação de António Carmona Rodrigues, presidente do conselho de administração do grupo Águas de Portugal, e de Carlos Matias Ramos, antigo presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e ex-bastonário da Ordem dos Engenheiros.

A Câmara de Coimbra estimou na quinta-feira que a necessidade de desassoreamento dos rios Mondego, Ceira e Dueça, terá um custo de 11,7 milhões de euros.

As cheias do Mondego, que ainda atingiram os concelhos de Montemor-o-Velho, com isolamento da localidade de Ereira, e de Soure, obrigaram igualmente ao corte da A14 e causaram prejuízos de vários milhões de euros a empresas situadas nas zonas ribeirinhas.

Um plano para a evacuação de 3.000 pessoas em Coimbra esteve também a ser preparado, acabando por não ser necessário, mas obrigou ao fecho de escolas e à retirada de várias pessoas de habitações, nomeadamente idosos.

No início do mês, as cooperativas agrícolas do vale do Baixo Mondego alertaram a Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas para a necessidade de a reparação do canal de rega do Mondego estar concluída até ao início de maio.