Candidatura do queijo de São Jorge à UNESCO avança nos Açores

O Governo Regional dos Açores está a criar uma estrutura técnica para acompanhar a candidatura do queijo de São Jorge a Património Cultural Imaterial da UNESCO. O processo inclui a recolha de contributos científicos, académicos e do setor produtivo para sustentar a candidatura. Estão em curso contactos com várias entidades para definir metodologias e enquadramento técnico do processo.
Agência Lusa
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18 mar. 2026, 10:16

 A estrutura de acompanhamento técnico do processo de candidatura do queijo de São Jorge a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO está em fase de constituição, revelou esta quarta-feira o Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM).

Na resposta a um requerimento do grupo parlamentar do PS açoriano, consultada pela agência Lusa, o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, refere que após a assinatura de um protocolo de colaboração destinado à inscrição dos saberes e técnicas tradicionais da confeção do queijo de São Jorge no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, “foram encetados contactos institucionais entre as entidades subscritoras e outras entidades relevantes para o desenvolvimento do processo de inventariação”.

“Nesse âmbito, têm vindo a ser promovidas articulações com entidades de natureza científica e académica, com vista à definição das metodologias de trabalho e ao enquadramento técnico-científico do processo”, acrescentou.

Segundo o governante, paralelamente, têm sido mantidos contactos com produtores e entidades representativas do setor, bem como com organismos com competências na área do património cultural, com o objetivo de recolher contributos e assegurar a adequada preparação da candidatura.

“Na sequência da assinatura do protocolo, encontra-se em preparação a constituição de uma estrutura de acompanhamento técnico do processo, integrando representantes das entidades signatárias e especialistas com competências nas áreas do património cultural imaterial, da investigação académica e do setor produtivo”, revelou Paulo Estêvão.

Ainda de acordo com o executivo açoriano, esta estrutura terá por finalidade “acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos de investigação, recolha e sistematização de informação, bem como apoiar a elaboração da documentação necessária à instrução do processo de inventariação”.

Quanto ao calendário previsto para formalização do processo, Paulo Estêvão responde que, dada a natureza complexa e exigente dos procedimentos associados à inventariação do património cultural imaterial, “encontra-se em curso a definição das etapas de trabalho e da respetiva calendarização, em articulação com as entidades parceiras e com os contributos técnicos das instituições envolvidas”.

“A inventariação de património cultural imaterial é, por natureza, um processo exigente e prolongado, assente em diversas etapas sucessivas e interdependentes”, recorda, garantindo que após a conclusão das etapas preparatórias, “será possível avançar para a formalização da candidatura ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial”.

No dia 05 de março, o PS/Açores questionou o Governo Regional sobre o ponto de situação da candidatura do queijo de São Jorge a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, anunciada em setembro de 2023.

Segundo um comunicado do partido, a intenção da candidatura foi anunciada pelo executivo liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, mas não há “informação pública sobre desenvolvimentos concretos”.

O Governo dos Açores e a Confraria do Queijo de São Jorge assinaram, em 02 de abril de 2025, um protocolo para inscrever os “saberes e as técnicas tradicionais da confeção do Queijo de São Jorge como Património Cultural Imaterial" da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês).

“Estamos a dar um passo muito importante, é um passo que tem como precedente a qualidade e a excelência do queijo de São Jorge e o talento desde há 500 anos para transformar leite de elevada qualidade em queijo de elevadíssima qualidade”, afirmou na ocasião o presidente do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro.

Já o responsável pela Confraria do Queijo de São Jorge, António Azevedo, defendeu que o reconhecimento vai permitir elevar o produto a um “patamar superior”.

António Azevedo adiantou que o processo junto da UNESCO poderá demorar cerca de dois anos, “caso corra tudo bem”.

Em setembro de 2023, o Governo dos Açores já tinha anunciado que ia iniciar o processo junto da organização internacional.