Cantanhede abre portas a laboratório pioneiro com foco no envelhecimento populacional
Para muitos idosos, a casa é único espaço de atividade diária. A população reformada passa entre 20 a 22 horas por dia em casa, numa rotina que acaba por acarretar o aparecimento de doenças e a perda de mobilidade para tarefas básicas.
Da saúde à ciência, da tecnologia à indústria, várias entidades dos diferentes setores uniram forças para trazer novas soluções aos desafios demográficos de um país envelhecido. O objetivo passa por tornar os espaços habitacionais mais inteligentes e preparados para o avançar da idade, num projeto levado a cabo pela Universidade de Aveiro, a Unidade de Saúde Local de Coimbra, o Departamento de Reabilitação do Hospital Rovisco Pais, a InovaDomus – Associação para o Desenvolvimento da Casa do Futuro e a empresa OLI – Sistemas Sanitários.
Num investimento de 16 milhões de euros, apoiado em parte pelo Plano de Recuperação e Resiliência, a “Casa VIVA + António Oliveira” vai ser um laboratório vivo que vai permitir, em contexto real, testar tecnologia, equipamentos e novos modelos de habitação, monitorizando e dando apoio a uma vida independente em idade avançada.
Sediada no Hospital Rovisco Pais, na Tocha, concelho de Cantanhede, a ideia do projeto é, segundo as entidades envolvidas, “permitir que mais pessoas possam viver durante mais tempo com qualidade de vida”, num contexto atual marcado “pelo aumento das doenças crónicas e pela crescente pressão sobre os sistemas de saúde e apoio social” onde se pretende “transferir parte dos cuidados e da prevenção para o contexto domiciliário”.
Entre as respostas inovadoras em desenvolvimento está a monitorização de dados de saúde com uma tecnologia que transforma “um tampo de sanita numa plataforma biométrica inteligente orientada para uma monitorização preventiva, passiva e personalizada da saúde no dia a dia”, refere o comunicado do projeto.
“Através da integração de sensores avançados e tecnologias de análise biométrica, a solução permite recolher automaticamente indicadores cardiovasculares e respiratórios, incluindo frequência cardíaca, variabilidade cardíaca, frequência respiratória e níveis de oxigenação sanguínea, possibilitando a identificação precoce de desvios e potenciais fatores de risco”, acrescenta a nota.
A Universidade de Aveiro, que assume a coordenação científica do projeto, admite tratar-se da concretização de “uma visão verdadeiramente pioneira sobre o futuro da habitação e da saúde” com uma “abordagem disruptiva, centrada na promoção da autonomia, da dignidade e do bem-estar no espaço onde a vida acontece: a casa”.
Também a Unidade de Saúde Local de Coimbra destaca a importância do projeto para "responder melhor aos desafios do envelhecimento e das limitações na funcionalidade, garantindo que o domicílio seja um espaço seguro de reabilitação e conforto".
Num modelo que se espera vir a ser replicável e “com potencial para influenciar políticas públicas”, a Casa VIVA + é inaugurada ao país esta quinta-feira.