Carla Martinho, vencedora da primeira Meia Maratona de Gaia, soma 39 anos de corridas: "Nunca é tarde para começar"

Carla Martinho venceu a primeira edição da Meia Maratona de Gaia, no ano passado, com um tempo de uma hora, dezassete minutos e três segundos. É atleta do Beira-Mar e volta a correr na Corrida do Atlântico, no domingo.
 
Joana Amarante
Joana Amarante Jornalista
20 mar. 2026, 08:00

A Meia Maratona de Gaia foi só uma conquista no meio de outras tantas, mas para Carla Martinho, atleta de Oliveira do Bairro, vencer a primeira edição foi especial. "É uma corrida com um espírito desportivo incrível, é um percurso plano, rápido, sempre em linha reta, em que nos podemos cruzar com a caminhada, com a parte de trás da corrida que para quem vai a competir é sempre uma motivação extra e um estímulo para conseguir melhorar os tempos”, afirma ao Conta Lá. “Gaia, eu acho que a nível nacional, é das melhores corridas”, sublinha.

Natural da Palhaça, escolhe a sua terra como local de treino, já que foi também ali que despertou a paixão pela corrida. Quando tinha apenas 10 anos, por brincadeira, participou numa corrida da freguesia. “Comecei a treinar como uma forma de sair de casa e de estar com outros miúdos da minha idade também. Tornou-se um bichinho que fui criando”, explica a atleta. 

“São já 39 anos de corridas", afirma a atleta. Nacionais e internacionais, sendo que uma das provas mais especiais foi a Meia Maratona Internacional de Macau em 2015, onde conquistou a medalha de ouro. 

Ainda assim, é em Portugal que quer ser uma referência para os mais novos: “Tento aproveitar cada quilómetro e interagir com outros atletas que vão passando e vai apoiando. É uma forma especial de estar entre pessoas do mesmo ambiente e que gostam do mesmo que eu, é o meu atletismo, o nosso atletismo. É sempre muito bom poder fazer parte e poder incentivar mais gente, ser uma referência para os novos que estão a começar na carreira desportiva e no atletismo”, sublinha. 

E para os que acham que correr é difícil, a desportista vem provar o contrário, até porque não dedica a vida inteiramente ao atletismo. Durante o dia, trabalha num restaurante, mas confessa que não lhe falta tempo para os treinos. 

A atleta do Beira-Mar deixa um conselho: “É gestão de tempo, não perdermos muito tempo onde não interessa, chegar a casa e focar que temos de ir treinar porque há uma responsabilidade e um compromisso. É nunca fazermos as coisas como um grande sacrifício. Vou ali e vou ser feliz, vou treinar para vencer uma corrida ou para chegar ao fim da corrida”.

Carla Martinho, que ganhou a Corrida Atlântica aos 48 anos, garante que nunca é tarde para começar algo que “faz bem à saúde e ao espírito".

"Toda a gente acha que correr é muito difícil, não é. É só começar devagarinho, não é preciso começar a grandes ritmos. Com grupos ou sem grupo, é fácil, além de fazer bem à saúde, faz bem ao espírito, liberta-nos, é um bocadinho do nosso tempo para pensar em nós. E nunca é tarde para começar, seja qual for a idade", frisa. 

Agora, um ano mais velha, admite não ter “muitos sonhos para concretizar, mas o facto de ainda conseguir correr, ir a um pódio como sénior, é gratificante”.

A atleta estará a correr ao lado de milhares de atletas já no próximo domingo, na segunda edição da Meia Maratona de Gaia, que será transmitida no Conta Lá.

A prova, num percurso sempre à beira-mar, tem os ex-atletas Aurora Cunha e José Regalo como padrinhos.

Mais do que uma competição, a Meia Maratona da Gaia quer valorizar o território e ser reconhecida nacional e internacionalmente. 

 

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