Casa do Cinema de Coimbra em risco de fechar por falta de investimento para obras
A Casa do Cinema de Coimbra está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado, garantiu o coordenador do espaço, que admitiu que a continuidade do projeto está em causa.
“Quando mudou o executivo, perguntei sobre as obras na Casa do Cinema e a vereadora disse que não haverá dinheiro para obras. Ora, não havendo obras, nem projeto, e se se continuarem a detetar anomalias, há uma probabilidade muito grande de ser perder a DIR [licença que permite a exibição de cinema]”, disse à agência Lusa o coordenador do espaço, Tiago Santos.
A agência Lusa questionou o executivo, liderado pela coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN), mas não obteve qualquer resposta.
O responsável notou que em setembro, quando será feita nova inspeção para renovação da licença, a Casa do Cinema “pode acabar", se se mantiverem as anomalias identificadas numa vistoria da Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) feita aquando da emissão da licença, em 2021.
“Não há, da parte do executivo, vontade em submeter o projeto e isso pode comprometer os nossos postos de trabalho e a perda de licença para explorar a sala. Sem poder gerar receita, não há capacidade para manter as oito pessoas [que trabalham no projeto]”, alertou Tiago Santos.
Com o risco de perder a licença, o coordenador explicou que a Casa do Cinema de Coimbra, que começou há cinco anos, fica em risco de acabar.
A Casa do Cinema de Coimbra começou a funcionar em 2021, reativando uma das duas salas das Galerias Avenida que passaram a ser propriedade do município em 2022, que as comprou por 170 mil euros e que começou a desenhar um projeto de requalificação daquele espaço, ainda no anterior mandato, quando o executivo era encabeçado por uma coligação liderada pelo PSD.
Segundo Tiago Santos, o projeto estava orçado na ordem de meio milhão de euros, tendo-se avançado com um processo de classificação das salas de cinema como imóveis de interesse municipal, para permitir a sua candidatura a fundos comunitários, que ficou concluído já no atual mandato, no início de março.
Face às reuniões intercalares com a IGAC e a algumas anomalias que foram sendo resolvidas ao longo destes cinco anos pela Casa do Cinema de Coimbra e pela Câmara de Coimbra, Tiago Santos disse acreditar que seria possível renovar a licença mesmo sem obras concluídas, mas com s indicação de um projeto de requalificação em curso.
Na emissão da licença pela IGAC, em 2021, é dada nota de que devem ser cumpridas as condicionantes associadas à vistoria inicial das instalações, que apontava para necessidade de resolver infiltrações, criar condições de acessibilidade, rever as instalações elétricas, atuar nos revestimentos e alterar as portas de entrada da sala.
Além disso, Tiago Santos lamentou o não aumento do apoio à atividade da Casa do Cinema de Coimbra e do festival de cinema Caminhos, que se situa nos 35 mil euros.
“Queríamos um aumento do valor de pelo menos para o dobro, sendo o triplo o desejado”, defendeu, recordando que a Casa do Cinema de Coimbra é o equipamento cultural detido pelo município com o orçamento mais baixo.
“O cinema é o parente pobre da cidade”, disse.