Castelo Branco quer provar que a inovação social nasce fora dos grandes centros urbanos
Durante dois dias, Castelo Branco assume um papel nacional num dos setores que mais tem crescido em Portugal: a inovação social. Nesta quinta e sexta-feira, 26 e 27 de fevereiro, cerca de 40 incubadoras de todo o país reúnem-se na cidade para discutir como transformar ideias sociais em soluções sustentáveis. Assim, o Encontro Nacional da Rede Incubadora de Inovação Social (RIIS) acontece de forma a criar uma rede nacional do setor.
O encontro, promovido pela Amato Lusitano - Associação de Desenvolvimento através da Incubadora Social de Castelo Branco (Social IN), surge num momento em que Portugal é apontado como pioneiro europeu na criação de um ecossistema estruturado de inovação social. “Este encontro é particularmente importante, porque visa uma reunião de trabalho entre as incubadoras a nível nacional”, explicou Dário Falcão, coordenador-geral da associação, com mais de 27 anos de existência na região.
No entanto, não é a primeira vez que o encontro se realiza, tendo passado em anos anteriores por Lagos, Leiria e outros pontos do país, reforçando a cooperação entre incubadoras. Ao contrário das respostas sociais tradicionais, muitas vezes dependentes de financiamento temporário, o objetivo das incubadoras passa por apoiar projetos capazes de sobreviver no tempo e criar impacto duradouro. “A inovação social procura que as pessoas consigam viver dos projetos que criam, garantindo sustentabilidade e transformação social”, esclareceu.
Dois dias: várias perspetivas
O encontro pretende funcionar como espaço de trabalho entre organizações que enfrentam desafios semelhantes em diferentes regiões do país, desde o combate ao isolamento social. até à integração de migrantes ou apoio a vítimas de violência doméstica.
Esta quinta-feira será dedicada à apresentação do território e dos projetos locais, incluindo visitas à Fábrica da Criatividade, à Amato Lusitano - Associação de Desenvolvimento e a espaços emblemáticos da cidade, aproximando os participantes do berço do encontro. Já o segundo dia será marcado por sessões de reflexão estratégicas, apresentações das incubadoras participantes, além de debates com investidores sociais e fundações nacionais e espanholas.
Entre os participantes estará Filipe Almeida, presidente da Portugal Inovação Social, entidade que tem impulsionado o crescimento destas iniciativas.
O interior como palco da inovação
Para Dário Falcão, receber o encontro em Castelo Branco tem também um significado simbólico: mostrar que a inovação social não nasce apenas nos grandes centros urbanos e que “cada território tem as suas especificidades e precisa de resolver os seus problemas”.O objetivo a médio prazo passa por criar padrões nacionais de avaliação de impacto social e consolidar uma rede permanente entre incubadoras. “Queremos consolidar o trabalho que tem vindo a ser feito e construir uma rede cada vez mais forte, mais coesa e com um propósito comum para o nosso futuro”, concluiu.
O encontro termina esta sexta-feira, mas o objetivo é que a Rede Nacional de Incubadoras continue a crescer e a desenvolver respostas sociais sustentáveis em todo o país.