Centros Ciência Viva assinalam Dia Nacional dos Cientistas com atividades gratuitas em todo o país

Atividades sobre biodiversidade, robótica, saúde, exploração espacial e ambiente vão marcar as comemorações do Dia Nacional dos Cientistas, celebrado a 16 de maio, com entrada gratuita em todos os Centros Ciência Viva do país e iniciativas abertas ao público de norte a sul de Portugal.
Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
15 mai. 2026, 16:45

A ciência vai sair dos laboratórios e ocupar praças, grutas, escolas e centros culturais de norte a sul do país no Dia Nacional dos Cientistas, celebrado a 16 de maio. Entre experiências interativas, oficinas, debates, atividades de biodiversidade e iniciativas ligadas ao espaço, os Centros Ciência Viva voltam a abrir portas gratuitamente ao público numa celebração dedicada à aproximação entre ciência e sociedade.

A data presta homenagem a José Mariano Gago, antigo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e uma das figuras mais marcantes da divulgação científica em Portugal. Trinta anos depois da criação da Ciência Viva, o objetivo continua a passar por democratizar o acesso ao conhecimento científico e estimular o pensamento crítico em diferentes gerações.

“Hoje existe uma verdadeira ‘Geração Ciência Viva’”, afirma Pedro Russo, Diretor da Ciência Viva, em entrevista ao Conta Lá. Ao longo das últimas décadas, milhares de jovens participaram em programas científicos, clubes escolares, centros interativos e atividades de contacto direto com investigadores e laboratórios.

Um dos exemplos é o programa Ocupação Científica dos Jovens nas Férias, que todos os anos permite a estudantes acompanharem o trabalho desenvolvido em instituições científicas de todo o país. “As instituições científicas abrem regularmente as portas dos seus laboratórios aos jovens entre julho e setembro, proporcionando-lhes contacto direto com o trabalho desenvolvido pela comunidade científica em Portugal”, explica Pedro Russo.

Ciência fora dos grandes centros e combate à desinformação

Ao longo dos próximos dias, a rede Ciência Viva promove dezenas de atividades em diferentes pontos do país, envolvendo escolas, autarquias, universidades, associações locais e empresas.

Em Bragança, investigadores vão apresentar demonstrações nas áreas da ciência, saúde, educação e robótica na Praça da Sé. Já no Fundão, a Quinta Ciência Viva das Cerejas e das Ideias aposta em atividades ligadas à biodiversidade e à ciência das cores. No Centro Ciência Viva dos Arcos, será lançado o livro “Na Escola Ciência Viva, sou cientista quando…?”, desenvolvido por alunos do 1.º ciclo.

Mais a sul, a Mina de Ciência - Centro Ciência Viva do Lousal recebe jogos científicos dedicados a rochas e minerais e a projeção da curta-metragem “O Hino do Mineiro”, produzida por estudantes do Instituto Politécnico de Beja. Em Lagos, os visitantes serão convidados a explorar a Estação de Biodiversidade da Bravura numa saída de campo integrada no VI Bioblitz Flora de Portugal.

Para Pedro Russo, um dos principais impactos da rede Ciência Viva tem sido precisamente a democratização do acesso à ciência fora das grandes cidades. “Os Centros Ciência Viva têm um papel especialmente relevante na democratização do acesso à ciência fora dos grandes centros urbanos”, sublinha.

Segundo o responsável, estes espaços não funcionam apenas como locais de divulgação científica, mas também como pontos de ligação entre ciência e comunidade. Em colaboração com parceiros locais, muitos centros desenvolvem projetos ligados ao território, incluindo análises de água ou de produtos agrícolas.

Numa altura marcada pela desinformação online, Pedro Russo considera que a divulgação científica assume uma importância acrescida junto dos mais jovens. “A cultura científica envolve o desenvolvimento do sentido crítico”, afirma. “O acesso a informação cientificamente validada assume um papel fundamental.”

O presidente da Ciência Viva destaca também o trabalho desenvolvido junto das escolas através da Academia Ciência Viva, responsável por ações de formação destinadas a ajudar docentes a responder aos desafios contemporâneos e à desinformação a que os jovens estão diariamente expostos.

Segundo Pedro Russo, o interesse das novas gerações pela ciência continua vivo, algo visível no crescimento da rede de Clubes Ciência Viva na Escola, criada em 2019. Atualmente, existem 897 clubes em todo o país, envolvendo mais de um milhão de estudantes, milhares de docentes e cerca de 4000 entidades parceiras. “Tudo para que a curiosidade e o interesse pela ciência não esmoreçam”, resume.

Do espaço às alterações climáticas

As celebrações incluem ainda iniciativas ligadas à astronomia e exploração espacial. Em Alcanena, o Centro Ciência Viva do Alviela – Carsoscópio organiza o Festival Geração Ciência, integrado no 3.º Encontro Regional dos Clubes Ciência Viva na Escola. O espaço será o tema central de uma mesa-redonda realizada nas Grutas de Santo António, com a participação dos astronautas análogos (investigadores que participam em missões de simulação espacial realizadas na Terra) Ana Pires e João Lousada, ligado à Agência Espacial Europeia.

As comemorações inserem-se também nos 30 anos da Ciência Viva, celebrados ao longo de 2026 através dos Festivais Geração Ciência, desenvolvidos em parceria com escolas, autarquias, universidades, centros de investigação, associações locais e empresas.

No âmbito do Dia Nacional dos Cientistas, a Assembleia da República recebe ainda, a 19 de maio, a 10.ª Conferência Caminhos do Conhecimento, subordinada ao tema “30 anos de cultura científica e tecnológica em Portugal”. A conferência contará com a participação especial de Mamoru Mohri, antigo diretor do Centro de Ciência Miraikan, em Tóquio.

Para Pedro Russo, o trabalho em rede continua a ser um dos pilares fundamentais da missão da Ciência Viva. “Este esforço conjunto tem contribuído para alargar o acesso ao conhecimento e à cultura científica a toda a sociedade”, afirma. “Em paralelo, estas dinâmicas têm também favorecido a formação de uma verdadeira ‘Geração Ciência Viva’, cada vez mais consciente da importância da ciência e do seu papel essencial no progresso da sociedade.”