Cerca de 450 mil clientes ainda sem eletricidade. Maioria das falhas está concentrada em Leiria
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou 192 ocorrências relacionadas com o mau tempo entre a meia-noite e as 8 horas desta quinta-feira, maioritariamente nas regiões de Coimbra e Leiria. De acordo com José Miranda, da ANEPC, a maioria das situações esteve associada a quedas de árvores (79), inundações de vias (62) e quedas de estruturas (28), não havendo vítimas a registar. Comparativamente a quarta-feira, a noite foi considerada mais calma.
A região de Coimbra foi a mais afetada neste período, com 53 ocorrências, seguida de Leiria (23) e das Beiras e Serra da Estrela (15). As restantes situações distribuíram-se um pouco por todo o território continental. Quanto à circulação rodoviária, continuam várias estradas municipais interditas, estando ainda a ser recolhida informação mais detalhada.
No que respeita ao abastecimento elétrico, cerca de 450 mil clientes da E-Redes em Portugal continental estavam, às 8 horas desta quinta-feira, sem eletricidade. O distrito de Leiria concentrava a maioria das situações, com cerca de 300 mil clientes afetados, seguindo-se Santarém, Coimbra e Castelo Branco. A empresa sublinha que a rede elétrica foi fortemente impactada pelas condições meteorológicas adversas associadas à depressão Kristin, tendo chegado a haver cerca de um milhão de clientes sem energia durante o pico da tempestade.
Num balanço anterior, relativo ao período entre a meia-noite e as 22 horas de quarta-feira, a ANEPC tinha contabilizado mais de 5.400 ocorrências em Portugal continental, envolvendo mais de 18.000 operacionais. As regiões de Leiria e do Oeste foram as mais afetadas em termos de danos, sobretudo devido à queda de árvores (3.375) e de estruturas (1.138).
Esta manhã mantinham-se ainda suspensas as Linhas da Beira Baixa, do Oeste e do Norte, entre Porto e Lisboa, bem como o serviço regional entre Coimbra B e o Entroncamento, devido a problemas na via causados pelo temporal.
A passagem da depressão Kristin pelo território português na quarta-feira deixou um rasto de destruição, provocou cinco mortos e vários desalojados. Os distritos mais afetados foram Leiria, por onde a depressão entrou em Portugal continental, Coimbra, Santarém e Lisboa. Entre as principais consequências registam-se quedas de árvores e estruturas, cortes e condicionamentos de estradas e transportes — em especial linhas ferroviárias —, encerramento de escolas e falhas no fornecimento de energia, água e comunicações.