Coimbra parou contra o pacote laboral e trabalhadores encheram a Praça 8 de Maio
A baixa de Coimbra parou para dizer "não ao pacote laboral". O apelo da União de Sindicatos foi escutado por milhares de trabalhadores que encheram a Praça 8 de Maio, junto à Igreja de Santa Cruz, deixando adivinhar uma cidade com indices elevados de adesão à greve e, consecutivamente, muitos serviços afetados.
Nos SMTUC - Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra - a adesão à greve atingiu os 85%, facto que deixou a cidade com poucas soluções na área dos transportes urbanos.
Também na Busway, operadora responsável pelo Sistema Intermunicipal de Transportes da Região de Coimbra - SIT Metropolitano - a greve alcançou, igualmente, impacto relevante. Esta empresa opera na rede de transportes públicos rodoviários que assegura a mobilidade entre os 19 municípios da região intermunicipal, com centenas de carreiras que ligam zonas urbanas, rurais e periféricas, mas viu, hoje, uma boa parte dos seus autocarros parados e sem poder assegurar o serviço habitual.
Nas escolas, muitos alunos ficaram sem boa parte das aulas que estavam marcadas para hoje, com destaque para a Escola Básica e Secundária Quinta das Flores que esteve encerrada.
E enquanto os sindicatos e o Governo vão discutindo os números da greve, o Conta Lá foi dar uma volta pelos principais pontos nevrálgicos de Coimbra e descobriu uma cidade que mais parece de férias.
Na Casa do Sal, principal entrada na cidade e acesso aos Hospitais, na Avenida Fernão de Magalhães (habitualmente a avenida mais movimentada), nos Arcos do Jardim (acesso à universidade), em plena hora de almoço, o cenário era este: ruas sem trânsito, cidade completamente parada, a fazer lembrar os dias de férias que deixam Coimbra sem vida.
Logo após a meia-noite, a União de Sindicatos mobilizou centenas de voluntários para os piquetes de greve que se concentraram junto das principais empresas com turnos de trabalho previstos para a madrugada.
Na ERSUC - Empresa de Resíduos Sólidos do Centro - alguns autocarros de transportes de resíduos desistiram de fazer as respetivas entregas perante a elevada mobilização de trabalhadores em greve que conseguiu fechar o acesso às instalaçóes deste ponto de recolha. Após alguma tensão, acompanhada de perto pela GNR, a empresa acabou por dispensar os trabalhadores, aceitando a paralização total do trabalho que estava previsto para o turno da noite.
Também a CIMPOR, em Souselas, teve um piquete a apelar à greve. Entre a meia-noite e as três horas da manhã, a afluência de trabalhadores à fábrica era inferior à que se regista, no mesmo horário, nos dias normais.