Comissão dos Vinhos Verdes lança coletivo de sustentabilidade para a região
A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes lançou um Coletivo de Sustentabilidade, um programa com o objetivo de ajudar produtores, técnicos e outros parceiros com práticas sustentáveis.
"O Coletivo de Sustentabilidade dos Vinhos Verdes não é mais do que o programa de sustentabilidade da região. O nome é 'Coletivo' porque é um programa que vai agregar os produtores, técnicos e parceiros estratégicos que trabalham na área. (...) Desde a vinha ao vinho, ao processo produtivo, embalamento e outras iniciativas que possam ter impacto positivo na medição dos parâmetros de sustentabilidade das empresas ou viticultores", explica à Lusa a presidente da Comissão, Dora Simões.
O objetivo é criar para esta região demarcada um plano de sustentabilidade, como há noutras regiões, e apoiar empresas e produtores a terem práticas mais sustentáveis e poderem cumprir metas relacionadas com a transição ecológica e climática.
O coletivo agrega medidas que já estavam a ser trabalhadas desde 2020 nos eixos ambiental, social e económico, e agora procura agregar "toda a cadeia de valores" com uma nova plataforma digital, o ViSUS, desenvolvida com o laboratório colaborativo DataCoLAB e financiada pelo programa Compete2030.
Esta plataforma permite às empresas registar medições de vários indicadores, seja de desempenho seja ambientais, e receber apoio à tomada de decisões mais conscientes do ambiente.
"Todas as vertentes vão ser analisadas e depois pode medir-se. Temos um ponto zero de onde partimos e depois vamos otimizando todos os nossos recursos, medir se as nossas boas práticas estão a ser implementadas ou não, e onde é que devemos melhorar", explica Dora Simões.
A partilha de boas práticas, o acompanhamento e a formação neste âmbito são outras das medidas abrangidas, num trabalho que vai da gestão da água à eficiência da poda, a monitorização do uso de químicos e fitofármacos, entre outros.
"Há muita informação que, ao estar registada, já está acessível e pode ser comparada com o passado. Afinal de contas, é uma tecnologia ao serviço da sustentabilidade para um grupo de trabalho, que é o coletivo. (...) O coletivo tem como ambição, no final, auxiliar na emissão de relatórios de sustentabilidade para as próprias empresas, o que vai ser um requisito necessário em breve", acrescenta.
Segundo a presidente da direção da Comissão, este instrumento "cada vez mais necessário", até a nível europeu, vai levar os produtores a aderirem a esta plataforma e a este "grupo de trabalho" no qual são figura central, "porque em primeira linha são os beneficiários".
"Vamos ter um grupo de trabalho com viticultores e produtores que queiram aderir. Isto não vai ser uma certificação, é para partilhar informação e usar plataformas de avaliação. Depois, usar essa informação na emissão de dados concretos", nota.