Comissão Europeia avança estratégia para prevenção de incêndios
A Comissão Europeia apresentou esta quarta-feira uma estratégia para a gestão do risco de fogos florestais, para ajudar os Estados-membros na prevenção, resposta e recuperação, perante o aumento da frequência e dimensão dos incêndios.
A nova abordagem visa “reforçar a resiliência europeia e proteger populações, infraestruturas e património cultural”, com foco na prevenção dos incêndios florestais, segundo um comunicado.
A proposta do executivo comunitário de gestão integrada do risco de incêndios florestais para reduzir o risco de incêndio inclui, nomeadamente, a prevenção baseada nos ecossistemas, com a criação de paisagens resistentes ao fogo, e a melhoria da prevenção, através de uma melhor avaliação de riscos.
A sensibilização dos cidadãos para o risco de incêndio e a recuperação pós-fogo são ainda aspetos abordados nesta comunicação, que se destina a ajudar os Estados-membros.
Para melhorar a avaliação de risco de incêndio, Bruxelas quer desenvolver o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, tornando os dados em tempo quase real, provenientes de agências espaciais parceiras e de satélites europeus, facilmente acessíveis tanto aos Estados-membros como aos cidadãos.
O desenvolvimento de modelação de risco padronizada, que ajuda a priorizar as medidas de prevenção de forma mais eficaz, e a divulgação de diretrizes para a integração do risco de incêndio nos relatórios nacionais são ainda vias propostas para melhorar a prevenção nos 27.
Segundo dados do executivo comunitário, a Europa enfrentou em 2025 a sua pior época de incêndios de sempre, com a área ardida a superar o milhão de hectares pela primeira vez desde 2006.
As alterações climáticas, considerou ainda Bruxelas, estão a agravar os riscos de incêndios florestais em toda a Europa, com verões mais longos, mais quentes e mais secos a fazer aumentar a frequência e a intensidade dos incêndios.
A nível tecnológico, será reforçado o Sistema Europeu de Informação sobre Fogos Florestais (EFFIS), apoiado pelo satélite Copernicus, e serão também desenvolvidas ferramentas de modelação de risco assistidas por Inteligência Artificial para apoiar as decisões.
A Comissão Europeia anunciou também que o primeiro helicóptero da frota permanente de combate incêndios florestais da União Europeia começa a operar este verão.
O reforço da frota permanente inclui também 12 aviões anfíbios, previstos para 2028, ficando um em Portugal.
A frota permanente da União Europeia (UE), anunciada há exatamente dois anos e que envolveu um investimento de 600 milhões de euros, inclui 12 novos aviões anfíbios e cinco helicópteros para frota comum de combate a incêndios.
Esta frota é uma das vertentes da reserva estratégica de capacidades de resposta a catástrofes da UE - rescUE.
Os 12 aviões anfíbios médios (como os Canadair) ficarão estacionados em Portugal, Espanha, França, Itália, Croácia e Grécia e os cinco helicópteros na Eslováquia, República Checa e Roménia.
A frota da rescUE integra atualmente 22 aeronaves, incluindo aviões anfíbios médios e aviões ligeiros, e quatro helicópteros, que são mobilizados em função da ativação do Mecanismo de Proteção Civil da UE.
Em 2025, ano em que foi batido um recorde de mais de um milhão de hectares ardidos na UE, foram mobilizados 38 aviões e 20 helicópteros.
Portugal conta, este ano, com o dispositivo nacional e tem acesso prioritário a dois aviões ligeiros do rescEU estacionados em território nacional, podendo ainda solicitar os aviões pesados de Espanha, França ou Itália.
O dispositivo da UE inclui ainda um sistema de pré-posicionamento de mais de meia centena de bombeiros de vários Estados-membros que são destacados durante o verão para os países com maior risco, incluindo Portugal, para garantir uma resposta imediata no terreno.
Em 2025, Portugal registou cerca de 270 mil hectares de área ardida, tornando-se o segundo pior ano da década depois de 2027 (537 mil hectares).