Constância e Barquinha em alerta devido à pressão na ponte sobre o Tejo

Os municípios de Constância e Vila Nova da Barquinha, no Médio Tejo, mostram preocupação com a pressão que o trânsito está a causar na travessia sobre o Rio Tejo, construída no século XIX. Esta é a única alternativa para muitos dos condutores, após o encerramento da ponte da Chamusca, devido às cheias.
Ana Rita Cristovão
Ana Rita Cristovão Jornalista
12 fev. 2026, 12:10

Com a situação do caudal do rio Tejo a cortar várias estradas na região do Médio Tejo, a Ponte da Praia do Ribatejo /Constância Sul, entre os concelhos de Constância e Vila Nova da Barquinha, é por esta altura a única alternativa para os muitos veículos ligeiros que circulam diariamente na região, nomeadamente, até aos concelhos circundantes de Abrantes ou Chamusca.

No entanto, a pressão a que a travessia tem estado sujeita nas últimas horas está a preocupar os autarcas devido às questões de segurança de uma ponte construída no século XIX e cuja circulação se faz alternadamente, por mediação de semáforos.

“Queremos alertar para a pressão que a estrutura de ponte está a sofrer neste momento, preocupa-nos e alguém tem de fazer uma avaliação acerca disto”, reitera Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Constância, em declarações ao Conta Lá.

“A ponte foi reabilitada para permitir apenas a passagem de ligeiros e aquilo que se passa são dois volumes de trânsito consideráveis: o aumento enorme do transito ligeiro, que não era habitual nesta ponte, e a passagem dos pesados que é feita à revelia da sinalização”, explica.

“Mesmo sendo proibido, o trânsito pesado tenta passar. Estou ao pé da ponte e no espaço de 15 minutos tentaram passar aqui quatro camiões”, explana.

Além de defenderem um reforço do patrulhamento, com a GNR no local para evitar a passagem de pesados, as autarquias de Constância e Vila Nova da Barquinha solicitaram já uma reunião com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, que acontecerá no mês de março, no sentido de “resolver este problema que se tem arrastado ao longo de décadas sem solução à vista”.

“Ficou demonstrado que a nossa velha ponte do século XIX continua a ser fundamental para toda a região numa situação como aquela que estamos a viver e é preciso que a administração central olhe e estude e reveja uma solução que permita a passagem de pesados e viaturas ligeiras sem controlo de semáforos”, reitera o autarca de Constância. 

Os autarcas alertaram ainda para o impacto económico, referindo pedidos de exceção de empresas para circulação de camiões, recusados por razões de segurança.

“Empresas como a Caima solicitaram exceções, mas recusámos assumir essa responsabilidade. O Ministério das Infraestruturas também não assumiu essa responsabilidade, está a avaliar a situação e haverá uma reunião com o ministro, em março, já agendada”, afirmou Sérgio Oliveira.

O volume médio diário nesta travessia situa-se entre 3000 e 4000 veículos, número que “mais do que duplicou ou triplicou” com o fecho da Ponte da Chamusca.

Cheias já voltaram a entrar no centro histórico da vila

Num dos concelhos mais afetados pelas cheias, derivadas do aumento dos caudais dos rios Zêzere e Tejo, que confluem nesta vila, a subida das águas durante a madrugada desta quinta-feira levou a água novamente a entrar na malha urbana.

“A indicação que temos é que os caudais vão começar a estabilizar, mas não podemos desarmar porque as barragens estão no limite, os solos saturados e qualquer água que caia escorre diretamente para as linhas de água”, diz Sérgio Oliveira ao Conta Lá.

O autarca dá conta ainda de que, além das casas já afetadas pelas cheias, a autarquia está a ajudar os proprietários a submeterem as candidaturas aos apoios do Governo relativamente aos danos provocados pela tempestade Kristin.

“Neste momento, temos apenas um desalojado, fruto da tempestade Kristin, cujo estado do telhado da casa não permite que haja condições para ficar ali e teve de ser realojado no Campo Militar de Santa Margarida”, diz.