Consumidores "são induzidos em erro" pelos rótulos: os riscos das refeições prontas para micro-ondas
Aquecer refeições prontas embaladas em recipientes de plástico pode libertar centenas de milhares de partículas de micro e nanoplásticos, juntamente com um cocktail de químicos tóxicos diretamente para os alimentos. A conclusão é de um novo relatório da Greenpeace, divulgado esta terça-feira. A organização informa, em comunicado, que o documento “Are We Cooked? The Hidden Health Risks of Plastic-Packaged Ready Meals” alerta para os riscos que estas refeições representam para a saúde "numa altura em que a produção de plástico aumenta".
O relatório, que analisou 24 estudos científicos recentes, salienta que os consumidores "são induzidos em erro" por rótulos que afirmam que estas refeições são seguras para o micro-ondas, quando, na realidade, podem "expor milhões de pessoas a contaminantes invisíveis todos os dias".
“Aquilo que colocamos no prato pode estar a ser contaminado pela própria embalagem. Em Portugal, o recurso às refeições prontas e ao take-away tem vindo a crescer de forma expressiva nos últimos anos, acompanhado por um ritmo de vida cada vez mais acelerado e exigente, que a sociedade passou a encarar como inevitável. Isto deve ser encarado como uma questão de saúde pública. Falamos de microplásticos e até nanoplásticos, bem como substâncias químicas potencialmente perigosas que podem migrar para os alimentos durante o aquecimento, muitas vezes sem que os consumidores tenham consciência desse risco”, sublinha o diretor da Greenpeace Portugal, Toni Melajoki Roseiro, no comunicado.
Um estudo analisado pela Greenpeace identificou "entre 326.000 e 534.000 partículas libertadas para simulantes alimentares, apenas cinco minutos depois de aquecimento no micro-ondas (até sete vezes mais do que no forno)". "Em vários estudos, amostras de plásticos comuns testadas no micro-ondas, como polipropileno e poliestireno, libertaram aditivos químicos para os alimentos ou simulantes alimentares, incluindo plastificantes e antioxidantes", lê-se ainda na mesma nota.
A organização pede que Portugal e a União Europeia "reforcem regras, transparência e fiscalização sobre os materiais e químicos usados em embalagens alimentares, garantindo informação clara e proteção efetiva para os consumidores". O comunicado refere uma análise da Agência Internacional de Energia que revela que as embalagens de plástico já representam cerca de 36% de todos os plásticos, estando a produção global prevista mais do que duplicar até 2050, face aos níveis atuais.
A coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal, Ana Farias Fonseca, citada na mesma nota, considera que “este relatório evidencia que o plástico que asfixia os oceanos está a entrar diretamente no nosso prato e a contaminar a nossa saúde, através de químicos tóxicos e microplásticos" e exige que o Governo português "faça tudo o que estiver ao seu alcance para que o Tratado Global sobre Plásticos seja uma realidade em 2026".