Crise no fornecimento leva maior produtora cabo-verdiana a parar produção em Portugal após mau tempo
A maior produtora de ovos e frangos em Cabo Verde anunciou esta sexta-feira a suspensão da produção até ao final de abril devido a dificuldades na importação de ovos férteis de Portugal após tempestade.
"Devido às cheias em Portugal", concretamente na "região da Leiria, ficámos impossibilitados de importar ovos férteis para a produção de frangos", disse o presidente do conselho da administração da Sociedade Industrial de Produtos Avícolas (Sociave), João Santos, citado pela Rádio de Cabo Verde (RCV).
O responsável acrescentou que Cabo Verde importa ovos férteis com origem no distrito de Leiria para serem incubados na ilha de São Vicente.
"Com as cheias em Leiria, houve problemas no fornecimento e isso vai ter repercussões na nossa produção. Já temos pintos nascidos e com uma semana, pelo que podemos garantir que no final do mês haverá frango no mercado. No entanto, teremos cerca de três semanas com quebra na produção", referiu.
A Sociave dispõe ainda de algum 'stock', tendo introduzido no mercado cerca de 40 mil ovos, quantidade considerada suficiente para acalmar o mercado e assegurar o abastecimento normal.
João Santos avançou ainda que os consumidores estão a ser informados para evitar especulação.
"Queremos manter um diálogo permanente de informação até para evitar especulação, porque nós sabemos que o ovo estava a ser vendido há um mês a preços exorbitantes", disse.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados.
Mais de metade das mortes ocorreram durante trabalhos de recuperação.
Os temporais, que afetaram o território continental durante cerca de três semanas, causaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, queda de árvores e de estruturas, cortes de energia, água e comunicações, além de inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.