Da música ao património, do montado ao gado, Festival Terras sem Sombra exalta identidade de Mértola
Vai ser uma “imersão que convoca o património, a criação musical e um olhar inédito sobre a salvaguarda da biodiversidade local”. É desta forma que a organização do festival anuncia um fim de semana de afirmação da identidade de Mértola.
Em atividade desde 2003, o Festival Terras sem Sobra é um evento itinerante que todos os anos percorre vários concelhos alentejanos com atividades que exaltam a cultura e características do território.
Em Mértola, as atividades arrancam este sábado, dia 16, com um roteiro pelos moinhos do território. “Engenhos, Memórias, Paisagens: Os Moinhos de Mértola”, é o nome da atividade que, pelas 16h00, pretende guiar os visitantes, desde o ponto de encontro da Achada de São Sebastião, pelo “património molinológico que estruturou, durante séculos, a organização do território e das comunidades, exprimindo um saber-fazer intergeracional ancorado na leitura dos ciclos da água e na adaptação ao meio”, refere a organização em comunicado enviado ao Conta Lá.
Já à noite, pelas 21h30, a igreja matriz de Mértola recebe o concerto “Pablo Casals e Johann Sebastian Bach: Diversas (Talvez Muitas) Afinidades Eletivas”. No silêncio da noite mertolense, o programa revisita a obra de Bach, sob a égide da herança interpretativa de Casals, figura decisiva na redescoberta moderna das suites para violoncelo já no século XX, com as sonoridades da violoncelista suíça Estelle Revaz.
No domingo, dia 17, as atividades começam manhã cedo, pelas 09h30, com atenção para a salvaguarda da biodiversidade. “A Raça Bovina Mertolenga: Uma Perspetiva Agroecológica” é um convite para conhecer e preservar “um recurso genético adaptado ao território e um ativo económico com forte identidade regional”, através de uma leitura viva do montado alentejano na herdade de Casa do Coelho, em Corte do Pinto.
No decurso da visita, os participantes “acompanham práticas concretas de maneio no terreno, desde a gestão do pastoreio à utilização eficiente dos recursos hídricos, percebendo como ciência e conhecimento empírico se cruzam na resposta às alterações climáticas”, refere a organização.