De norte a sul, onda de solidariedade ergue-se após a tempestade Kristin

Depois da tempestade Kristin ter deixado um rasto de destruição sobretudo na região Centro, com particular incidência no distrito de Leiria, multiplicam-se por todo o país as iniciativas solidárias para apoiar as populações afetadas. Autarquias, associações, instituições de ensino, corporações de bombeiros e cidadãos uniram esforços numa verdadeira onda de solidariedade. 
Regina Ferreira Nunes
Regina Ferreira Nunes Jornalista
04 fev. 2026, 08:00

A madrugada que se seguiu à passagem da tempestade Kristin revelou um cenário de danos em vários concelhos da região Centro. Perante a dimensão dos prejuízos e as dificuldades sentidas por muitas famílias, a resposta não se fez esperar: de norte a sul do país, multiplicaram-se os apelos e as ações de recolha de bens essenciais para apoiar quem perdeu quase tudo. O Conta Lá reuniu alguns dos principais pontos de recolha de bens essenciais, ativos de norte a sul do país, para apoiar as populações mais afetadas pela tempestade Kristin.

Norte

No Norte do país, a mobilização faz-se sentir um pouco por todo o território. Os donativos podem incluir alimentos não perecíveis, azeite, óleo, leite, enlatados, papas para bebés e produtos de higiene, como fraldas e toalhitas.

O Município do Porto, em articulação com todas as juntas e uniões de freguesia da cidade, ativou uma operação logística. A recolha decorre no antigo centro da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto, junto ao Terminal Intermodal de Campanhã, durante esta quarta-feira, das 8h30 às 18h00. Em simultâneo, decorrem recolhas nas juntas de freguesia do Bonfim, Campanhã, Paranhos e Ramalde, bem como nas uniões de freguesia de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, Centro Histórico e Lordelo do Ouro e Massarelos, em horários diferentes ao longo do dia, garantindo vários pontos de entrega acessíveis à população.

Ainda no distrito do Porto, as juntas de freguesia de Fânzeres e de São Pedro da Cova, prolongaram a campanha até ao dia 5 de fevereiro. A recolha decorre nos edifícios das respetivas juntas, entre as 9h00 e as 12h30 e das 14h00 às 17h00. Para além dos bens essenciais, a campanha contempla ainda a recolha de material, como por exemplo, lonas e plásticos, colchões de campismo, mantas, cobertores, roupa de cama, geradores e produtos de primeiros socorros.

Em Viana do Castelo, o movimento Vian.AL - Movimento do Alojamento Local, está a organizar recolhas de roupa de cama, fraldas e produtos de higiene em dois locais distintos: junto ao Pavilhão Aiminho, no Campo Senhora da Agonia, e em Ponte de Lima, na Rua do Arrabalde de São João de Fora.

O Município de Torre de Moncorvo está a fazer uma recolha entre 2 e 7 de fevereiro, com pontos de entrega nas juntas de freguesia, no edifício da Ação Social do município e nas instalações do CLDS Moncorvo 5G. Em São João da Madeira, os donativos estão a ser recebidos no Quartel Operacional dos Bombeiros, enquanto na Rebordosa a junta de freguesia, em parceria com o clube local e os bombeiros voluntários, coordenam a recolha de bens para entregar às famílias afetadas.

Em Alfena, o Motoclube vai fazer uma recolha de bens na sua sede, na próxima sexta-feira, dia 6 de fevereiro.

No Peso da Régua, a Paróquia em colaboração com a Cáritas Diocesana de Vila Real, está a promover uma recolha de alimentos para apoiar as populações afetadas pela tempestade. A entrega dos donativos pode ser feita na sede da Junta de Freguesia de Peso da Régua, de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 11h00 e das 18h00 às 19h00, e ao sábado, das 16h00 às 18h00.

Os Bombeiros Voluntários de Fafe estão também a promover uma recolha solidária. Os donativos podem ser entregues no Quartel dos Bombeiros Voluntários de Fafe até ao dia 8 de fevereiro.

No distrito de Bragança, os pontos de recolha no Município de Miranda do Douro estão localizados nos Bombeiros Voluntários de Miranda do Douro e nos Bombeiros Voluntários de Sendim, numa campanha que decorre entre os dias 2 e 6 de fevereiro. 

Centro

No Centro do país, onde se concentram os maiores danos e prejuízos, a resposta é contínua. Em Leiria, um dos concelhos mais afetados, a recolha de bens foi centralizada no Pavilhão dos Pousos, considerado o principal centro logístico de apoio. É ali que chegam diariamente alimentos não perecíveis, produtos de higiene, lonas, areia, cimento, luvas de construção e outros materiais essenciais para intervenções urgentes em habitações danificadas. Paralelamente, a Cáritas Diocesana de Leiria mantém recolhas na sua sede e no centro logístico da Zona Industrial dos Pousos.

No concelho de Ourém, o município definiu pontos oficiais de recolha de bens essenciais. Os alimentos não perecíveis estão a ser recebidos no Centro Municipal de Exposições, enquanto os materiais de proteção e reconstrução, como lonas, plásticos e telhas, podem ser entregues no Estaleiro Municipal do Pinheiro.

Nos concelhos vizinhos, a recolha está igualmente ativa. Em Pombal, o Pavilhão das Atividades Económicas recebe bens alimentares, produtos de higiene, materiais de construção e proteção de habitações. Em Figueiró dos Vinhos, a recolha decorre no Polo de Formação da Cidade.

A solidariedade estende-se ainda a Coimbra, onde a Associação Académica mobilizou a comunidade académica e a sociedade civil numa campanha com ponto de recolha na papelaria da AAC. Esta ação integra uma mobilização estudantil a nível nacional, com associações e federações académicas. Os pontos de recolha estão distribuídos por todo o país.

Em São Pedro do Sul, a Câmara Municipal, em parceria com escolas e entidades sociais, promove uma recolha até sexta-feira, dia 6, no antigo Ciclo.

Em Pinhel, a autarquia criou uma recolha no Pavilhão Multiusos, envolvendo também empresas locais, nomeadamente na recolha de lonas, materiais de construção, alimentos e produtos de limpeza.

Sul

No Sul do país, a resposta solidária faz-se sobretudo através das autarquias e corporações de bombeiros. Em Albufeira, o quartel dos Bombeiros Voluntários está a receber donativos que seguem para as zonas mais afetadas, incluindo lonas, utensílios domésticos, roupa de cama e pequenos eletrodomésticos. 

Também em Marvão, o município, as freguesias, as paróquias e o agrupamento de escolas organizaram uma recolha que decorre até dia 5 de fevereiro, com destino ao Fundo de Emergência Social gerido pela Cáritas Diocesana de Leiria.