Depressão Kristin deixa várias aves marinhas sem vida na praia de Sesimbra
A depressão Kristin, que atingiu Portugal na madrugada desta quarta-feira, 28 de janeiro, com ventos que chegaram aos 150 km/h, provocou a morte de várias aves marinhas na praia de Sesimbra, incluindo Papagaios-do-mar (Puffins), Painhos, Corvos-Marinhos de faces brancas e Galhetas, aves selvagens e normalmente pouco avistadas.
Henrique Afonso, fotógrafo de vida selvagem desde 2019 e estudante de mestrado em Biologia da Conservação, revela ao Conta Lá que tempestades como a que ocorreu na noite passada empurram muitas aves para perto da costa. “O que acontece é que podem ficar desgastadas de voar contra ao vento (…), perdem a energia e acabam por ir para a água, sendo levadas pelas ondas para terra”, descreve.
Entre as espécies encontradas pelo jovem de 21 anos, o Papagaio-do-Mar foi uma das aves arrojadas que avistou na Praia de Sesimbra, na manhã desta quarta-feira. “Muitas pessoas conhecem-nos das redes sociais ou de documentários de natureza (…) e muitas vezes, por causa destas tempestades, vão parar à praia e em vez de os vermos no mar vemo-los já mortos”, acrescenta. Também foram detetados Painhos, ou Almas de Mestre, pequenas aves negras, e duas espécies maiores, o Corvo-Marinho de faces brancas e a Galheta, que se distinguem pelo bico e pelo corpo.
Henrique Afonso salienta ainda a importância de recorrer a entidades especializadas quando se encontram aves debilitadas ou mortas. “Normalmente pode-se ligar ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SPNA), ou a centros de recuperação, que recolhem os animais selvagens debilitados e ajudam-nos a recuperar".
“É muito importante porque muitas aves juvenis só precisam de uma ajuda para voltar a conseguir voar e alimentar-se sozinhas”, alerta. Para os animais mortos, as autópsias ajudam a determinar se a causa da morte foi a tempestade ou devido a outros fatores, como a poluição.
O episódio evidencia o impacto das tempestades na fauna marinha e sublinha a necessidade de monitorização e intervenção adequada para proteger as espécies afetadas. A cooperação entre entidades especializadas, observadores e fotógrafos é essencial para garantir a sobrevivência destes animais. E a população no geral também pode ajudar: sempre que forem encontradas aves debilitadas ou arrojadas, é possível alertar os centros de recuperação mais próximas ou as autoridades competentes. Veja os contactos mais diretos em baixo.
Contactos úteis
SEPNA - Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (GNR): 213 217 291/2 | sepna@gnr.pt
Linha SOS Ambiente (SEPNA/GNR): 808 200 520
BriPA - Brigada de Proteção Ambiental da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Portugal: contactos por distrito AQUI
Parque/Reserva Natural mais próximo (contactos AQUI) ou os serviços centrais do ICNF: 213 507 900 | icnf@icnf.pt