Dos combustíveis aos fertilizantes, conflito no Médio Oriente traz impacto "altamente assimétrico" e arrastado no tempo

A Agência Internacional de Energia (AIE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial alertam para o impacto "global e altamente assimétrico" da guerra no Médio Oriente. Sublinham que os preços dos combustíveis e dos fertilizantes podem manter-se elevados durante um longo período.
Agência Lusa
Agência Lusa
14 abr. 2026, 10:00

Os responsáveis das três instituições internacionais, Kristalina Georgieva (FMI), Ajay Banga (Banco Mundial) e Fatih Birol (AIE), realizaram na segunda-feira uma reunião no âmbito do grupo de coordenação criado no início de abril para coordenar a resposta das agências aos efeitos económicos da guerra no Médio Oriente.

Neste sentido, manifestaram preocupação com a segurança alimentar e a perda de emprego como fatores resultantes da crise nos preços do petróleo, gás e fertilizantes agrícolas. 

Por outro lado, alguns produtores de petróleo e gás da região também sofreram uma queda drástica nas receitas de exportação.

No comunicado conjunto, as três instituições disseram que a situação continua incerta, assinalando que a navegação no Estreito de Ormuz ainda não regressou à normalidade.

O documento alertou que, mesmo após a retoma dos fluxos marítimos regulares, vai demorar tempo para que o fornecimento global de matérias-primas essenciais regresse aos níveis anteriores ao conflito.

Neste sentido, os preços dos combustíveis e dos fertilizantes podem manter-se elevados durante um longo período.

O Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Agência Internacional de Energia avisaram ainda que as interrupções no fornecimento podem provocar escassez nos setores da energia, alimentar e outros.

Para as três instituições, o conflito no Médio Oriente está a afetar os importadores de energia, particularmente os países mais desfavorecidos.

A guerra provocou deslocações forçadas, provocou desemprego e reduziu as viagens e o turismo, uma situação que pode tardar a ser invertida, referiram.

A mais recente crise no Médio Oriente começou no dia 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram os bombardeamentos aéreos contra o Irão, provocando grandes constrangimentos no Estreito de Ormuz, uma das principais vias de navegação.