Em Alcanede, há um museu de arqueologia dentro da Igreja Matriz

 A vila de Alcanede, no concelho de Santarém, inaugurou um Museu de Arqueologia na Igreja Matriz. Um espaço criado para acolher e divulgar achados arqueológicos identificados durante recentes trabalhos de conservação no edifício religioso.
Agência Lusa
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26 mar. 2026, 15:45

O novo museu ocupa um espaço lateral da Igreja Matriz e reúne objetos de várias épocas, com destaque para o período romano e para materiais associados a práticas funerárias. Entre as peças, contam‑se moedas antigas, terços, elementos cerâmicos e “cinco estelas que eram colocadas à entrada das sepulturas”.

O presidente da Junta de Freguesia de Alcanede, Manuel Joaquim, refere que a ideia de criar o museu “surgiu quando começaram a aparecer diversos objetos durante as escavações”, realizadas no âmbito da recuperação das fundações da igreja.

“Foi mais de um ano de trabalhos e, perante a quantidade e diversidade de peças, seria uma pena não avançar para um espaço onde pudessem ser mostradas às pessoas”, afirmou.

“Conseguimos ver coisas que nos dão noção de como eram os costumes de há muitos anos”, sublinhou Manuel Joaquim, destacando a “qualidade, diversidade e bom estado de conservação” dos materiais.

A criação do museu teve um investimento de cerca de 26 mil euros, comparticipado pela câmara municipal, pela junta de freguesia e por contributos da população.

O conjunto agora exposto cobre um período cronológico que vai da Pré‑História ao século XIX, com especial incidência nas épocas medieval e moderna. Entre as peças de maior relevância encontram‑se exemplares de lapidária funerária, incluindo um grupo significativo de estelas datadas entre os séculos XIV e XVI.

O acervo integra ainda moedas da Primeira Dinastia, fragmentos do quotidiano doméstico e vestígios militares como botões de fardas das guerras napoleónicas.

Entre os itens mais invulgares está uma pedra votiva proveniente da antiga capela de Nossa Senhora das Neves, com inscrição latina.

O presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Leite, numa publicação nas redes sociais, considerou que a abertura do Museu de Arqueologia de Alcanede representa “um compromisso com a identidade e a memória coletiva” da freguesia e do concelho.

“Aqui damos vida a peças que estiveram durante muito tempo ocultas e que agora passam a estar ao alcance de todos”, sublinhou.

O autarca destacou ainda o papel do novo equipamento na afirmação de Alcanede como ponto de interesse cultural no concelho, reforçando a oferta patrimonial do território.

“Acreditamos que conhecer o nosso passado é essencial para construirmos o futuro. Este espaço é mais um passo firme nesse caminho”, disse.

O Museu Arqueológico de Alcanede ficará aberto ao público com visitas orientadas promovidas pela junta de freguesia.