Em Soure já se esvaziam casas com receio de cheias superiores a metro e meio

Com a subida do caudal do Rio Ega, provocada pela chuva intensa que já se fez sentir e que se prevê para a noite deste sábado, já há moradores do Casal do Marachão, em Soure, a retirar bens de casa, temendo novas cheias como as de 2001, com 1,70 metros de altura.
Ana Rita Cristovão
Ana Rita Cristovão Jornalista
Redação
Redação
31 jan. 2026, 20:00

No Casal do Marachão, em Figueiró do Campo, em Soure, os moradores colocam a "casa às costas" e tentam retirar tudo o que é possível, com as iminentes cheias que deverão invadir as habitações na noite deste sábado. Com a chuva intensa dos últimos dias e as previsões a apontar para mais, já estão a ser feitas descargas da barragem da Aguieira, aumentando ainda mais o nível do Rio Ega volte a subir.

Os moradores agem por precaução e temem cenários nunca antes vistos, como em 2001, em que as casas ficaram com água a um nível de 1,70 metros.

António Fernandes é um deles. Já enfrentou cheias em 2001 e em 2019 e sabe bem o que significa ver a água entrar porta dentro. “Cheguei a ter 1,70 metros de água em casa”, recorda. Desta vez, decidiu não esperar. “Tirei uma casa mobilada”, conta, enquanto tenta salvar o que pode, num cenário marcado pela pressa e pela incerteza.

O medo não é apenas material. António admite que ficou traumatizado pelas cheias anteriores e evita até ver notícias sobre temporais. Ainda assim, voltou a enfrentar a ameaça, empurrado pelas previsões que apontam para um agravamento da situação.

A Junta de Freguesia de Figueiró do Campo alertou a população para se precaver, antecipando o aumento do caudal do rio. Ao Conta Lá, o presidente da junta não esconde a preocupação e admite que o cenário que se aproxima pode ser “pior do que alguma vez vivido”, com o risco de uma cheia de grande dimensão.