Empresa de plásticos da Marinha Grande continua em instalações provisórias dois meses depois da tempestade

As instalações da empresa do setor dos moldes e plásticos foram fortemente afetadas pelo mau tempo, que causou prejuízos de mais de 750 mil euros. 70% da produção está noutra empresa do mesmo grupo. São consequências da depressão Kristin, dois meses depois da sua passagem.
 
Agência Lusa
Agência Lusa
26 mar. 2026, 10:07

Uma empresa do setor dos moldes e plásticos da Marinha Grande continua a operar em instalações provisórias dois meses depois da passagem da depressão Kristin e instalou 70% da sua capacidade de produção ao lado da unidade afetada.

“Dois meses depois, a Imoplastic continua a operar em instalações provisórias. Com os estragos provocados pelo mau tempo, deslocalizámos a maioria das máquinas para a Imodrill, que faz parte do mesmo Grupo, e é de lá que trabalhamos”, revelou um dos sócios da Imoplastic.

Em declarações à agência Lusa, Abílio Luz explicou que as instalações da Imoplastic foram fortemente afetadas pelo mau tempo, que causou prejuízos que estima que ascendam a 750 mil euros.

“Constantemente aparecem situações, ou seja, uma máquina que tem humidade e problemas no arranque ou está danificada. Por isso, o valor dos prejuízos ainda é só estimado. E temos algumas máquinas ainda a céu aberto, cobertas com lonas, nem sei se bem ou se mal, lá veremos quando chegar a altura de destaparmos e começarem a trabalhar”, acrescentou.

A maioria das máquinas foi levada para as instalações provisórias, onde já estão a laborar alguns trabalhadores.

No entanto, cerca de duas dezenas encontram-se atualmente em lay-off, sendo a equipa ajustada em função das necessidades.

Segundo Abílio Luz, a capacidade produtiva da Imoplastic ronda os 70%, o que acabou por se traduzir em atrasos junto dos clientes.

“Estivemos duas semanas sem luz e sem comunicações e no grupo fizemos de tudo, mas, no mínimo, perdemos seis semanas de trabalho e é muito complicado recuperar. Vimos preocupação em alguns clientes, que de dois em dois dias nos pediam informações e até mandávamos fotografias do que se estava a passar”, referiu.

À Lusa, admitiu ainda que atualmente “os clientes não estão a colocar encomendas”.

“Isto depois do mau tempo, talvez também pela guerra do Irão. Ou simplesmente pode ser uma coincidência, muito honestamente não sabemos, mas estamos um pouco apreensivos”, disse.

No que toca ao processo com as seguradoras, o sócio da Imoplastic indicou que permanece indefinido, depois de “uma avaliação inicial que até foi rápida”.

“Já enviámos os orçamentos, mas têm pedido documentação em cima de documentação. Já lá vão dois meses e estamos na mesma, sem apoios, e nem sabemos que compensações é que vão chegar”, lamentou.

O Grupo Imoplastic é especializado no fabrico de moldes para a injeção de termoplásticos e tem capacidade de produção até 40 toneladas.

A empresa-mãe, fundada em 1980, é detida por quatro sócios: Abílio José das Serradas Luz, João Caetano Tavares, João Manuel Pires Correia Moita e Nelson Ribeiro Simões.