Endesa diz que reconversão da central do Pego ainda aguarda autorizações

A Endesa revela que o projeto de reconversão da central do Pego, em Abrantes, está ainda em fase de autorizações e atribui os atrasos a processos administrativos e a ajustes exigidos pelas declarações de impacto ambiental. A energética prevê iniciar a construção em 2027, admitindo antecipar o calendário caso as autorizações sejam concluídas mais cedo.
Agência Lusa
Agência Lusa
24 fev. 2026, 15:14

A Endesa disse esta terça-feira que o projeto associado à reconversão da central do Pego está ainda "em fase de autorizações" e que os atrasos se devem a questões de autorizações e necessidade de ajustes devido às declarações ambientais.

"Estamos ainda em fase de autorizações", disse o diretor financeiro da Endesa (CFO), Marco Palermo, numa conferência de imprensa em Madrid.

A energética espanhola prevê iniciar a construção do projeto em 2027, mas poderá adiantar os prazos se conseguirem antes as autorizações, afirmou Marco Palermo.

Já o presidente executivo (CEO) da Endesa, José Bogas, sublinhou que "o projeto está lançado" e que a empresa acredita que "pode ser um projeto estrela" da energética nos próximos anos.

Segundo José Bogas, "os atrasos que tem havido" têm estado relacionados com "autorizações, ajustes" e alterações exigidas pelas Declarações de Impacto Ambiental (DIA).

"Mas isso é o normal", acrescentou.

A Endesa disse esta terça-feira que prevê iniciar a construção do projeto associado à reconversão da central do Pego, em Abrantes, em 2027, depois de, há um ano, ter já assumido "algum atraso" no calendário.

A empresa anunciou esta terça-feira uma atualização do plano estratégico da empresa para o período 2026-2028, em que prevê 10.600 milhões de euros de investimentos globais, 3.000 milhões dos quais para energias renováveis.

É neste contexto que refere o projeto "de transição justa do Pego (Portugal), cuja construção está previsto que arranque em 2027".

"Incorporará 600 MW [megawatts] de nova capacidade híbrida renovável (eólica, solar e baterias), com um investimento estimado de 600 milhões de euros. A sua configuração híbrida permite um perfil energético próximo à carga base, o que o faz muito adequado para clientes de grande escala, como centros de dados", escreveu a Endesa, num comunicado divulgado esta terça-feira.

Há um ano, quando apresentou os resultados de 2024, a Endesa admitiu já "algum atraso" no projeto da central do Pego, mas garantiu, e esta terça-feira reiterou, que mantém todos os compromissos.

No final de janeiro deste ano, a Endesa anunciou o plano de formação 2026 da Escola Rural de Energia Sustentável, em Abrantes, criada no âmbito do projeto para o Pego, que fontes da empresa disseram já então à Lusa estar "em fase de tramitação ambiental", remetendo mais detalhes para a apresentação esta terça-feira do Plano Estratégico para 2026-2028.

A Endesa ganhou o concurso de transição justa para a reconversão da Central Termoelétrica do Pego, com um projeto de investimento de cerca de 600 milhões de euros, que combina a hibridização de fontes renováveis (solar fotovoltaica e eólica) e o seu armazenamento, com iniciativas de desenvolvimento social e económico.

A empresa é a maior elétrica espanhola e a segunda na distribuição de gás em Espanha.

Em Portugal, a Endesa produz e distribui eletricidade e ganhou o concurso para a reconversão da central do Pego.

A Endesa tem ainda em Portugal projetos para geração de energia solar.

A energética anunciou esta terça-feira que teve lucros de 2.198 milhões de euros no ano passado, mais 16,4% do que em 2024.