Espiunca, a aldeia cercada pelo fogo onde “ninguém entra e ninguém sai”

O verão de 2025 ficará por muito tempo na memória dos habitantes da recôndita aldeia de Espiunca, no concelho de Arouca. Era de madrugada quando as chamas, vindas das localidades vizinhas de Alvarenga e Canelas, se cruzaram e criaram um cenário infernal num lugar de onde “ninguém entra e ninguém sai”. 
Pedro Marcos Editor de imagem
Ana Rita Cristovão
Ana Rita Cristovão Jornalista
João Lacerda
29 dez. 2025, 20:00

O relógio marcava as 13h15 de dia 28 de julho quando o alerta para o fogo chegou ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Arouca. A partir daí, seguiram-se cinco dias de aflição, incerteza e hectares de área ardida – 3900 hectares, 12% de todo o território arouquense. 

Com meios vindos de todo o país para ajudar no combate às chamas, foram mais de 1000 os operacionais envolvidos, numa luta inglória contra o vento e as serras e encostas acidentadas que impossibilitavam a chegada de meios a todos os cantos. 

Espiunca, um paraíso escondido no fundo do vale, tornou-se num inferno de chamas. Os bombeiros chegaram lá depois de “atravessar pelo meio das chamas” e lá ficaram, junto da população, num lugar onde a ordem para os habitantes era clara: “Ninguém entra e ninguém sai”. 

Cinco meses depois da passagem do fogo, as marcas ainda se fazem sentir na vida e na economia desta aldeia. Exemplo disso são os negócios da madeira, onde os prejuízos calculados ascendem aos 400 mil euros.