Espiunca, a aldeia cercada pelo fogo onde “ninguém entra e ninguém sai”
O relógio marcava as 13h15 de dia 28 de julho quando o alerta para o fogo chegou ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Arouca. A partir daí, seguiram-se cinco dias de aflição, incerteza e hectares de área ardida – 3900 hectares, 12% de todo o território arouquense.
Com meios vindos de todo o país para ajudar no combate às chamas, foram mais de 1000 os operacionais envolvidos, numa luta inglória contra o vento e as serras e encostas acidentadas que impossibilitavam a chegada de meios a todos os cantos.
Espiunca, um paraíso escondido no fundo do vale, tornou-se num inferno de chamas. Os bombeiros chegaram lá depois de “atravessar pelo meio das chamas” e lá ficaram, junto da população, num lugar onde a ordem para os habitantes era clara: “Ninguém entra e ninguém sai”.
Cinco meses depois da passagem do fogo, as marcas ainda se fazem sentir na vida e na economia desta aldeia. Exemplo disso são os negócios da madeira, onde os prejuízos calculados ascendem aos 400 mil euros.