Este projeto de Guimarães quer ajudar agricultores a antecipar riscos com inteligência artificial
“Achamos que conseguimos acrescentar valor e contribuir no fundo para uma agricultura, um sistema agroalimentar mais sustentável.” Palavras de Joana Castro e Carlos Pinto, responsáveis por um projeto pioneiro em Portugal na área da agricultura preditiva que dá pelo nome de PRETECHT. Desenvolvida na Universidade do Minho e atualmente sediada em Guimarães, a 'spin-off' pretende “trabalhar com grandes empresas, mas também oferecer serviços para agricultores com menor dimensão”.
O título vem "da junção do 'protect', de proteger, e de prever, prevenir”, com o objetivo da empresa a passar pela antecipação de riscos e por “perceber como é que uma cultura vai evoluir muito antes das coisas acontecerem”, acrescenta Carlos Pinto, formado em Engenharia Florestal e que atualmente frequenta o mestrado em Gestão de Projetos pelo Politécnico do Porto. “Queremos ajudar e materializar isto de uma forma acionável para os agricultores”, reforça.
Joana Castro, licenciada em Biologia Aplicada e mestre em Biologia Molecular, Biotecnologia e Bioempreendedorismo em Plantas pela UMinho, explica que a “previsão é baseada nos micro-organismos que existem no ecossistema, neste caso nas culturas agrícolas dos agricultores.” Ou seja, o que fazem "é analisar esses micro-organismos, tanto na planta como no solo ou na água, perceber o que é que está a acontecer e o que é que está para vir como, por exemplo, doenças ou desequilíbrios”, acrescenta Joana Castro. Dessa forma, será possível apresentar aos agricultores formas de evitar e de potenciar as suas colheitas, corrigindo o ecossistema.

Inteligência artificial
A análise do microbioma pode ajudar a controlar, por exemplo, a quantidade de químicos que se aplicam nas culturas. Com isto, prevêem-se resultados como “melhor retorno financeiro para os agricultores” e a contribuição “para uma prática mais sustentável, tanto financeiramente como ambientalmente”, refere Carlos Pinto. Também a Inteligência Artificial tem um papel neste processo, como explicam os fundadores do projeto: “É usada numa fase mais final do processo, que nos permite efetivamente conseguir prever os desequilíbrios. Funciona como a simulação de vários cenários e de várias variáveis que nos permite sentir a tal ação ou a recomendação da ação para o agricultor. Ou seja, transforma um grande volume de dados em algo que possa ser transmitido de forma clara e simples para aplicar no terreno e na gestão diária”.
“Em Portugal, principalmente no Norte, a agricultura familiar e a pequena agricultura é muito representativa e é também uma ambição nossa conseguir trazer 'inputs' positivos a esta realidade”, sublinham. Apesar de não ter sido pensado para fazer face a condições climatéricas extremas, como as que o país atravessa agora, por ser “difícil de prevenir com o tempo suficiente”, Joana Castro garante que “num cenário ideal, futuramente, teremos essa variável em conta, mesmo nas recomendações geradas, para tentar corrigir e voltar a recuperar a produtividade”.
Ferramenta de tecnologia que tem aplicações em setores como agricultura de precisão, agroalimentar, ambiente e pesquisa científica, a PRETECHT quer agora partir de Portugal, onde está a “maior rede de contactos para estabelecer os primeiros pilotos”, para cumprir uma visão global com ambição de se posicionar a nível europeu nos próximos anos.