Estudantes de Medicina vão apoiar idosos isolados em aldeias de Foz Côa
Três dezenas de estudantes de Medicina da Universidade do Minho vão trocar as salas de aula pelo contacto direto com a população para acompanhar idosos de localidades isoladas de Vila Nova de Foz Côa. Entre 29 de junho e 3 de julho, os futuros médicos vão percorrer aldeias do concelho numa iniciativa que pretende promover a saúde, reforçar a proximidade com a população e combater o isolamento social.
A ação integra a 14.ª edição do projeto “Aldeia Feliz”, promovido pelo Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho (NEMUM), com o apoio do Município de Vila Nova de Foz Côa e das respetivas juntas de freguesia.
Ao longo de cinco dias, os estudantes vão realizar visitas domiciliárias, deslocar-se a lares e centros de dia e acompanhar dezenas de idosos que vivem em zonas mais afastadas dos principais serviços. Entre as atividades previstas estão a medição da pressão arterial e da glicemia capilar, sessões de sensibilização para hábitos de vida saudáveis e ações de promoção da saúde.
Para além da componente clínica, a iniciativa aposta na criação de momentos de conversa, partilha e acompanhamento, procurando combater a solidão que afeta muitos idosos residentes em aldeias mais isoladas do interior. O objetivo passa não só por promover o bem-estar físico, mas também por reforçar os laços sociais e o contacto humano junto de uma população frequentemente mais vulnerável ao isolamento.
Para os organizadores, a iniciativa procura responder a uma realidade cada vez mais presente em muitas regiões do interior do país: o envelhecimento da população e as dificuldades de acesso a cuidados de saúde e informação. Em muitos casos, os idosos vivem longe dos centros urbanos e têm contacto limitado com profissionais de saúde ou com o próprio médico de família.
“Enquanto cidadãos e futuros médicos, queremos ter um papel ativo no combate a esta emergência social. Por isso, decidimos intervir no terreno, num projeto de proximidade que enriquece também a nossa formação clínica e humana”, afirma Ana Rita Peixoto, presidente do NEMUM.
Criado em 2014, o projeto “Aldeia Feliz” nasceu com o objetivo de aproximar os estudantes de Medicina das comunidades mais envelhecidas e isoladas. A primeira edição apoiou cerca de 150 idosos no Parque Nacional da Peneda-Gerês e, desde então, a iniciativa já passou por várias localidades do Norte e Centro do país, contribuindo para aproximar os futuros médicos da realidade das comunidades rurais.
Ao longo dos anos, o projeto tem procurado combinar a promoção da saúde com o contacto humano, proporcionando aos estudantes uma experiência prática junto da população e contribuindo para melhorar o bem-estar de pessoas que vivem frequentemente afastadas dos serviços e das redes de apoio.
O trabalho desenvolvido pelo “Aldeia Feliz” já mereceu reconhecimento nacional, tendo sido finalista do Prémio Nacional de Voluntariado Universitário do Banco Santander. Este verão, a iniciativa chega a Vila Nova de Foz Côa para levar cuidados de proximidade, informação e companhia a dezenas de idosos do concelho.
Numa região marcada pelo envelhecimento da população, a chegada dos estudantes representa uma oportunidade para reforçar a promoção da saúde e, sobretudo, criar ligações humanas que muitas vezes fazem tanta diferença como os próprios cuidados médicos.