Estudo mostra "tropicalização" do Mediterrâneo com espécies de águas mais quentes

A investigação, desenvolvida pelo Instituto de Ciência e Tecnologia Ambientais da UAB foi publicada no boletim científico Global and Planetary Change, informou hoje a universidade.
Agência Lusa
Agência Lusa
13 fev. 2026, 17:23

Um estudo liderado pela Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) demonstra a expansão de espécies microscópicas de águas quentes no Mediterrâneo ocidental, o que revela a “tropicalização” deste mar.

O fenómeno só havia sido bem documentado na bacia oriental.

A investigação, desenvolvida pelo Instituto de Ciência e Tecnologia Ambientais da UAB foi publicada no boletim científico Global and Planetary Change, informou hoje a universidade, em comunicado.

Na bacia oriental, a tropicalização está bem documentada, mas até agora o Mediterrâneo ocidental tinha mostrado menos sinais deste processo.

O estudo "apresenta uma indicação clara” dos impactos da “tropicalização dos ecossistemas marinhos”.

Até agora, a maioria dos estudos sobre alterações na biodiversidade marinha centrava-se em organismos com os quais os seres humanos interagem ou consomem, como os peixes, mas não tinham dado atenção ao plâncton.

A investigação da UAB aborda as alterações nos padrões de biodiversidade a partir de uma perspetiva microplanctónica.

Os resultados mostram que o aumento da temperatura superficial do mar “já alterou a base das redes tróficas [cadeia alimentar] marinhas, os consumidores primários planctónicos, essenciais para o funcionamento e o equilíbrio dos ecossistemas oceânicos”, destaca, citado pela agência EFE, Arturo Lucas, investigador e autor principal do estudo.

A equipa científica analisou registos de sedimentos marinhos do mar de Alboran, na bacia ocidental, e do estreito de Messina (Sicília), na zona mediterrânica central.

O estudo centra-se em dois grupos dominantes de micro-organismos planctónicos calcificadores: os cocolitóforos (microalgas fotossintéticas), e os foraminíferos (pertencentes ao zooplâncton) que desempenham um “papel central” na regulação do ciclo de carbono e na química do oceano, e atuam como “indicadores ambientais eficazes”.

Uma das descobertas mais destacadas é o aumento de 'Gephyrocapsa oceanica', uma espécie mais comum em águas tropicais do oceano Atlântico e que se dispersa através do estreito de Gibraltar.