Fármacos fora de risco: farmácias atingidas por mau tempo salvaguardam medicamentos

As falhas de energia causadas pela depressão Kristin na semana passada deixaram alguns estabelecimentos inoperacionais. As farmácias, na ausência de luz, conseguiram, ainda assim, conservar medicamentos. Agora, o que preocupa são os estragos causados pelas cheias.
Joana Amarante
Joana Amarante Jornalista
08 fev. 2026, 08:00

A Associação Nacional de Farmácias (ANF), que acompanha a situação desde o início, contabilizava cerca de 200 farmácias afetadas, número que agora aumenta com os edifícios atingidos pelas inundações. 

“Na semana passada e no que se prende com a tempestade Kristin, tivemos maioritariamente farmácias afetadas na zona de Leiria, Pombal, Marinha Grande e todos os concelhos aqui envolventes. Muitas farmácias ficaram efetivamente sem acesso a água, eletricidade e comunicações”, refere Ema Paulino, presidente da ANF, em entrevista ao Conta Lá, acrescentando que foi possível recuperar a operação em quase todas, através do uso de geradores e de equipamentos para comunicações via satélite. 

Aos danos estruturais em algumas farmácias, como telhados e montras partidas juntam-se agora as inundações, particularmente em Alcácer do Sal. Ema Paulino afirma que neste concelho “as farmácias infelizmente estão completamente inundadas, com o rés do chão completamente inoperacional” sendo que há duas farmácias que esta sexta-feira foram encerradas por “incapacidade de operar".

Neste município do distrito de Setúbal, foi necessário recorrer às farmácias da zona de Grândola. A ANF apela às pessoas que precisem de medicamentos que se desloquem a Grândola se tiverem essa capacidade. 

“Se for necessário, por exemplo, entregar medicamentos de urgência a pessoas que estão em zonas que só podem ser acedidas por barcos, os farmacêuticos alocados pelo Laboratório Militar, estão disponíveis para fazer essas entregas”, acrescenta.

Articulação interna

Apesar de o INEM e a Proteção Civil terem alertado que a falha de energia pode comprometer a eficácia de medicamentos essenciais que precisam de refrigeração, a presidente da ANF garante: “Todas as farmácias têm equipamentos UPS (Sistemas de Alimentação Ininterrupta) que permitem manter o funcionamento em termos de eletricidade, mas durante um período relativamente curto.”

O apagão de 2025 fez com que muitas farmácias garantissem geradores, que após estas intempéries, serviram para salvaguardar a eletricidade. “As que não tinham geradores, já sabiam onde é que poderiam colocar os seus medicamentos, nomeadamente noutras farmácias ou mesmo equipamentos disponibilizados pelas câmaras municipais, ou pelos centros de saúde”, sublinha Ema Paulino.

A associação estima que os prejuízos para as farmácias afetadas pelas cheias sejam mais elevados, em particular nas que foram afetadas do ponto de vista das infraestruturas. Relativamente a apoios, Ema Paulino refere que a Associação Nacional das Farmácias, disponibilizou equipas no terreno para ajudar a repor a operação nas farmácias, e informou os estabelecimentos de todos os apoios que estão a ser disponibilizados pelo Governo às empresas da região.

A presidente da associação garante que tem “havido uma articulação interna” com o Infarmed, Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, de forma a “reencaminhar as pessoas que necessitam de medicamentos”.