Fármacos fora de risco: farmácias atingidas por mau tempo salvaguardam medicamentos
A Associação Nacional de Farmácias (ANF), que acompanha a situação desde o início, contabilizava cerca de 200 farmácias afetadas, número que agora aumenta com os edifícios atingidos pelas inundações.
“Na semana passada e no que se prende com a tempestade Kristin, tivemos maioritariamente farmácias afetadas na zona de Leiria, Pombal, Marinha Grande e todos os concelhos aqui envolventes. Muitas farmácias ficaram efetivamente sem acesso a água, eletricidade e comunicações”, refere Ema Paulino, presidente da ANF, em entrevista ao Conta Lá, acrescentando que foi possível recuperar a operação em quase todas, através do uso de geradores e de equipamentos para comunicações via satélite.
Aos danos estruturais em algumas farmácias, como telhados e montras partidas juntam-se agora as inundações, particularmente em Alcácer do Sal. Ema Paulino afirma que neste concelho “as farmácias infelizmente estão completamente inundadas, com o rés do chão completamente inoperacional” sendo que há duas farmácias que esta sexta-feira foram encerradas por “incapacidade de operar".
Neste município do distrito de Setúbal, foi necessário recorrer às farmácias da zona de Grândola. A ANF apela às pessoas que precisem de medicamentos que se desloquem a Grândola se tiverem essa capacidade.
“Se for necessário, por exemplo, entregar medicamentos de urgência a pessoas que estão em zonas que só podem ser acedidas por barcos, os farmacêuticos alocados pelo Laboratório Militar, estão disponíveis para fazer essas entregas”, acrescenta.
Articulação interna
Apesar de o INEM e a Proteção Civil terem alertado que a falha de energia pode comprometer a eficácia de medicamentos essenciais que precisam de refrigeração, a presidente da ANF garante: “Todas as farmácias têm equipamentos UPS (Sistemas de Alimentação Ininterrupta) que permitem manter o funcionamento em termos de eletricidade, mas durante um período relativamente curto.”
O apagão de 2025 fez com que muitas farmácias garantissem geradores, que após estas intempéries, serviram para salvaguardar a eletricidade. “As que não tinham geradores, já sabiam onde é que poderiam colocar os seus medicamentos, nomeadamente noutras farmácias ou mesmo equipamentos disponibilizados pelas câmaras municipais, ou pelos centros de saúde”, sublinha Ema Paulino.
A associação estima que os prejuízos para as farmácias afetadas pelas cheias sejam mais elevados, em particular nas que foram afetadas do ponto de vista das infraestruturas. Relativamente a apoios, Ema Paulino refere que a Associação Nacional das Farmácias, disponibilizou equipas no terreno para ajudar a repor a operação nas farmácias, e informou os estabelecimentos de todos os apoios que estão a ser disponibilizados pelo Governo às empresas da região.
A presidente da associação garante que tem “havido uma articulação interna” com o Infarmed, Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, de forma a “reencaminhar as pessoas que necessitam de medicamentos”.